Debandada no Haiti e queda de árvore na Alemanha fazem dezenas de mortos na Páscoa
Ao menos 30 pessoas morreram na fortaleza haitiana de Laferrière após aglomeração e falta de oxigénio; na Alemanha, uma árvore caiu sobre participantes de uma caça aos ovos, matando três. Autoridades investigam.

Um fim de semana de celebrações pascais foi marcado por tragédias em dois continentes. No Haiti, pelo menos 30 pessoas morreram no sábado dentro da Cidadela Laferrière, fortaleza declarada Património Mundial da Unesco e um dos mais emblemáticos monumentos do país caribenho. De acordo com fontes locais, uma afluência excecional de visitantes durante uma atividade turística organizada anualmente na Páscoa gerou uma debandada nas galerias estreitas do recinto. O presidente da proteção civil do departamento Norte, Jean Henri Petit, advertiu que o número de vítimas pode aumentar, já que as operações de resgate ainda não haviam sido concluídas. Relatos iniciais apontam que a escassez de oxigénio nos túneis, agravada por condições meteorológicas adversas com chuvas e ventos fortes, contribuiu para o desespero coletivo. O primeiro-ministro Alix Didier Fils-Aimé manifestou «profunda consternação» e ordenou uma investigação, mobilizando as autoridades para apoiar as famílias enlutadas.
Na perspetiva de Brasília, o episódio ecoa os alertas de especialistas em segurança de multidões em eventos de grande escala, num país já assolado por crises políticas e humanitárias. Observadores em Lisboa sublinham que a Cidadela Henri, situada a cerca de 25 quilómetros de Cap-Haitien, a segunda maior cidade haitiana, é um destino de romaria pascal que tem registado um aumento de visitantes apesar da instabilidade crónica. Não há informações de lusófonos entre as vítimas, mas a comunidade haitiana no Brasil e as missões de paz lideradas pelo Brasil no passado mantêm laços de atenção com a ilha.
A milhares de quilómetros de distância, na localidade de Satrupholm, no norte da Alemanha, outra celebração pascal teve um desfecho fatal. No domingo, um pinheiro de cerca de 30 metros tombou sobre um grupo de cerca de 60 residentes de um centro materno-infantil que participavam numa caça aos ovos organizada pela instituição. Uma mãe de 21 anos, o seu bebé de dez meses e uma adolescente de 16 anos morreram, e uma jovem de 18 anos foi hospitalizada em estado grave, embora já não corra risco de vida. A direção da entidade justificou a realização da atividade apesar do mau tempo, afirmando que as condições não pareciam perigosas no momento. A procuradoria investiga as circunstâncias.
Estas duas ocorrências, num intervalo de apenas 24 horas, reacendem o debate internacional sobre a segurança em ajuntamentos populares, sejam fortalezas coloniais ou jardins comunitários. A coincidência de ambas se darem durante a Páscoa, época de maior mobilidade e aglomeração, reforça a necessidade de protocolos preventivos e de avaliação de riscos — um desafio partilhado por países de diferentes latitudes, do Caribe à Europa central.
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