Papa Leão XIV qualifica abusos de 'praga' e reúne-se com vítimas na Espanha
Na visita a Madrid, pontífice pede aos bispos 'escuta, verdade, justiça e reparação' e ouve sobreviventes. Mas grupos não convidados denunciam 'oportunidade fotográfica'.

No terceiro dia da sua viagem à Espanha, o Papa Leão XIV fez a condenação mais incisiva dos abusos sexuais na Igreja desde o início do pontificado. Dirigindo-se à Conferência Episcopal Espanhola, chamou "praga" aos crimes cometidos por membros do clero e exigiu uma viragem institucional: "A comunidade eclesial está chamada a responder com a escuta, a verdade, a justiça, a reparação e um compromisso cada vez mais decidido na prevenção". As palavras, que marcam uma rutura com anos de silêncio sobre a gestão da pedofilia por parte da hierarquia ibérica, foram acompanhadas por um apelo aos leigos para que se envolvam na resposta a uma ferida que classificou de "longe de estar sanada".
Paralelamente, o pontífice recebeu durante quase uma hora seis vítimas de abusos, na Nunciatura Apostólica de Madrid. Os sobreviventes, propostos principalmente pelo Provedor de Justiça, pelas dioceses e pelo projeto Repara do Arcebispado, apresentaram propostas para tornar mais eficaz a salvaguarda. O Vaticano afirmou que o Papa escutou "com afeto e atenção" e prometeu usar essas sugestões como base para futuros esforços. No entanto, grupos de vítimas que não foram convidados desqualificaram o encontro como mera "oportunidade fotográfica", recordando que a credibilidade da Igreja depende de mecanismos transparentes de escuta e justiça, e não de gestos pontuais.
Na perspetiva de Roma, o gesto é interpretado como um divisor de águas, sobretudo porque durante anos o episcopado espanhol foi acusado de inércia. Observadores em Madrid notam que a dureza do discurso papal surpreendeu num país onde a contestação aos encobrimentos se intensificou após o relatório do Provedor de Justiça. Do lado de lá do Atlântico, analistas brasileiros sublinham que a linguagem de Leão XIV ecoa reivindicações das associações de vítimas no Brasil, mas que o anúncio de medidas concretas continua a ser o verdadeiro teste. Em Portugal, onde a Igreja foi abalada por um relatório independente e o episcopado criou o Grupo Vita, o que se passa em Madrid é visto como um sinal do caminho que o novo pontífice pretende impor, embora a memória de promessas por cumprir alimente o cepticismo.
A visita a Espanha incluiu ainda um encontro privado com a presidente da Comunidade de Madrid, Isabel Díaz Ayuso, no qual se abordaram temas como a solidariedade com os imigrantes. Mas a centralidade do combate aos abusos na agenda papal ficou clara: ao mesmo tempo que prometeu uma Igreja "lugar seguro", Leão XIV comprometeu-se a traduzir as propostas das vítimas em esforços estruturais. A eficácia dessas intenções será medida, nos próximos meses, pela capacidade de transformar a contrição em reformas institucionais que restaurem a confiança dos fiéis, dentro e fora da Península Ibérica.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
O papa Leão XIV qualificou os abusos sexuais de 'praga' e exigiu dos bispos espanhóis medidas firmes para proteger as vítimas e restaurar a confiança. A imprensa latino-americana destaca o seu apelo paralelo à solidariedade com os imigrantes, enquadrando-o como parte de uma agenda reformista e socialmente comprometida.
O papa Leão reuniu-se em privado com seis sobreviventes de abusos, mas grupos não convidados descreveram o encontro como uma mera oportunidade fotográfica. Os órgãos de comunicação anglófonos sublinham a lacuna persistente entre os gestos simbólicos do Vaticano e a exigência de total transparência e responsabilização.
A franqueza do papa diante dos bispos espanhóis assinala um divisor de águas após anos de silêncio institucional, ainda que as associações de vítimas esperassem uma condenação ainda mais forte. A imprensa europeia situa a visita no contexto mais amplo da crise de credibilidade da Igreja e dos apelos paralelos do pontífice à paz.
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