Entrar
Edição das 10:00 CETquinta-feira, 11 de junho de 2026
287 veículos · 16 idiomas77 briefing hoje
segunda-feira, 8 de junho de 2026 · Edição das 20:00 CET

Irão isola-se no México e só pisará solo dos EUA em dias de jogos

Com base em Tijuana e cercada por segurança, a seleção iraniana prepara-se para o Mundial sob restrições sem precedentes, fruto da guerra em curso com o país anfitrião.

Esporte8 veículos6 idiomas2 min de leituraAtualizado 03:34

A seleção do Irão desembarcou na manhã de domingo em Tijuana, no México, sob um aparato de segurança que mais parecia uma operação militar do que a chegada de uma equipa de futebol a um Mundial. Soldados mexicanos escoltaram a delegação, que se viu forçada a abandonar o plano original de instalar o seu quartel-general em território norte-americano. Pela primeira vez na história das Copas, um país anfitrião está em guerra com uma das nações participantes — e essa realidade impôs ao Irão um isolamento logístico e simbólico, com treinos à porta fechada e uma base de preparação a milhares de quilómetros dos estádios onde disputará os seus jogos.

As restrições não se limitam ao alojamento. Os jogadores e a equipa técnica só estão autorizados a entrar nos Estados Unidos nos dias das partidas, deixando o país logo após o apito final. Treze dirigentes da federação iraniana viram os vistos negados, alegadamente por ligações à Guarda Revolucionária, o que foi denunciado na imprensa europeia como “ingerência política” e “tratamento discriminatório”. A própria liga doméstica do Irão foi suspensa, e as dificuldades de preparação física agravam as perspetivas de uma seleção que, no Grupo G, terá de medir forças com a Nova Zelândia, a Bélgica e o Egito.

A imprensa brasileira difundiu imagens da viagem e da chegada, sublinhando o contraste entre a normalidade sonolenta dos jogadores a bordo — lendo livros, vendo filmes — e a anormalidade do cenário geopolítico que os cerca. Do continente africano, o Gana, também presente no Mundial, acompanhou as restrições com um olhar que mistura surpresa e apreensão, num torneio que se expande para 48 seleções e que já nasce sob o signo das controvérsias. Na perspetiva de Lisboa, a situação é um alerta para o risco de os conflitos internacionais se infiltrarem no desporto de forma cada vez mais explícita.

Restam poucos dias para o arranque do Mundial e o caso iraniano já é apontado por analistas como um dos mais delicados que a FIFA já teve de gerir. O isolamento a que o Irão está sujeito, num país que é formalmente seu adversário militar, não tem paralelo e pode condicionar de forma decisiva o desempenho em campo. A um mês do pontapé de saída, a incerteza sobre a capacidade de a equipa se adaptar a este regime de entradas-relâmpago e saídas forçadas permanece como um fator de imprevisibilidade que nenhum adversário terá.

Esta notícia apareceu em

8 veículos · 6 idiomas · janela de 24 horas

France 248 de jun., 17:07
La Gaceta8 de jun., 19:09
Panorama8 de jun., 17:08
The Ghana Report8 de jun., 23:16
Metrópoles9 de jun., 02:54
G19 de jun., 01:16
Tages-Anzeiger8 de jun., 23:14
Neue Zürcher Zeitung (NZZ)8 de jun., 17:07