Com baixa de Balerdi, Scaloni adia escolha do substituto e aposta na volta de Messi
A oito dias da estreia no Mundial‑2026, o técnico argentino usa brecha no regulamento da FIFA para esperar a evolução de outros lesionados antes de fechar o plantel. Messi terá minutos contra a Islândia.

A confirmação da lesão muscular de Leonardo Balerdi, defesa do Olympique de Marselha, abriu um período de espera estratégica para Lionel Scaloni. O seleccionador argentino dispõe de uma janela incomum para escolher o substituto: o artigo 24.º do regulamento da Copa do Mundo de 2026 permite a troca de um jogador lesionado até 24 horas antes da partida de estreia, a 16 de junho, frente à Argélia. Embora a regra aponte para a lista provisória de 55 nomes entregue em maio, o texto admite que se solicite uma excepção para convocar um atleta de fora dessa relação – uma válvula que, na prática, dá a Scaloni mais tempo para avaliar o estado físico de outros futebolistas importantes.
A decisão não é apenas burocrática. O treinador reconheceu que a defesa está coberta e que o substituto pode surgir noutra posição, o que explica a demora. Ao mesmo tempo, a equipa técnica lida com um boletim clínico extenso: Leandro Paredes ainda trabalha à parte por uma lesão muscular, enquanto Nahuel Molina e Gonzalo Montiel correm contra o relógio para estarem aptos. Essa precariedade colectiva, somada à expectativa de ver Lionel Messi recuperar ritmo após uma fadiga muscular na coxa esquerda, tornou o amistoso diante da Islândia, em Auburn, no Alabama, um laboratório essencial. Scaloni confirmou que o capitão terá minutos, mas não arriscará a sua condição.
O cenário do jogo adensa o significado do momento. O Jordan‑Hare Stadium, templo do futebol americano universitário, recebe pela primeira vez um encontro de futebol, numa metáfora involuntária do ineditismo que a selecção campeã do mundo enfrenta ao defender o título num torneio alargado a 48 equipas. O confronto reedita, oito anos depois, o duelo com os islandeses que, na Rússia‑2018, expôs as fragilidades de uma Argentina ainda em busca de identidade. Hoje, sob o comando de Scaloni, a equipa chega com uma estrutura consolidada e uma hierarquia táctica que contrasta com o caos de então – uma transformação que observadores em Lisboa e no Rio de Janeiro acompanham como um caso raro de continuidade bem‑sucedida no futebol de selecções.
A prudência do técnico ecoa também do lado argelino. A imprensa de Argel relata uma preparação acelerada para enfrentar os campeões, ciente de que as dúvidas físicas na retaguarda argentina podem nivelar o confronto inaugural. Para Scaloni, a definição do substituto de Balerdi – que pode ser anunciada já na quarta‑feira – encerrará uma semana de cálculos em que a letra miúda do regulamento da FIFA serviu para ganhar tempo e minimizar riscos. O desfecho deste compasso de espera vai ditar o grau de ousadia do plantel argentino na abertura do Mundial, num torneio que já nasce sob o signo da imprevisibilidade.
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