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Guerra na Ucrânia: meio milhão de baixas russas e Europa assume mediação enquanto EUA focam Irão

Número de soldados russos mortos aproxima-se dos 500 mil, segundo serviços britânicos. Ucrânia pressiona Europa a liderar negociações de paz face ao desvio de recursos americanos para o conflito com o Irão.

Geopolítica3 veículos3 idiomas3 min de leituraAtualizado 04:13

Os serviços secretos britânicos revelaram que quase 500 mil soldados russos morreram desde o início da invasão em grande escala da Ucrânia, em fevereiro de 2022. A diretora do GCHQ, Anne Keast-Butler, afirmou que Moscovo está a recuar no campo de batalha, mas alertou para uma intensificação das ações híbridas contra o Reino Unido e a Europa, incluindo ataques a infraestruturas críticas, cadeias de abastecimento e espionagem. O aviso surge num momento em que a guerra entra no seu quinto ano e as baixas russas se tornam um fator político interno incontornável.

Enquanto os combates prosseguem, a Ucrânia procura reposicionar a Europa como principal mediadora das negociações de paz, afastando os Estados Unidos, cuja atenção está agora centrada no confronto com o Irão. Segundo fontes iranianas, a pressão sobre os arsenais americanos levou o Pentágono a avisar os aliados europeus de que as entregas de armas sofrerão atrasos. O Presidente Volodymyr Zelensky enviou uma carta ao homólogo norte-americano, Donald Trump, alertando para uma carência extrema de sistemas de defesa aérea — em especial mísseis Patriot — e enviou cópia ao Congresso. Este pedido sublinha a vulnerabilidade de Kiev, patente no recente ataque russo que matou três pessoas e feriu 92 na capital.

Na perspetiva de Lisboa, a reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da UE, esta semana, para debater a estratégia face à Rússia, indica que Bruxelas procura assumir maior protagonismo diplomático. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou um pacote de 28,3 mil milhões de euros em ajuda militar para este ano, integrando a Ucrânia nos esforços europeus de defesa aérea e de drones. Paralelamente, Zelensky submeteu ao parlamento um projeto de lei para ratificar um acordo de empréstimo com a UE no valor de 90 mil milhões de euros. Observadores em Brasília notam que a aposta europeia no prolongamento do conflito contrasta com a insistência do governo Lula numa solução negociada, mas a diplomacia brasileira ainda não encontrou espaço para mediar.

No terreno, o comandante do corpo do exército ucraniano, general Andriy Biletsky, considera que a guerra está num “ponto de viragem” e que Kyiv dispõe de seis meses para tomar a iniciativa, pois as forças russas estão exaustas. Analistas africanos de língua portuguesa, como em Maputo ou Luanda, acompanham com apreensão os efeitos colaterais, nomeadamente o aumento dos preços dos alimentos e da energia, que agravam as fragilidades económicas da região. A janela de seis meses mencionada pelo general coincide com o esforço diplomático europeu e com o pedido urgente de material antiaéreo, desenhando um cenário em que a pressão militar e a negociação se entrelaçam de forma crítica. Se a Europa falhar em fornecer os meios prometidos, o equilíbrio poderá pender irreversivelmente a favor de Moscovo, com consequências muito para lá do teatro de operações.

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