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Escalada no Golfo: EUA e Irão trocam ataques enquanto Kuwait interceta mísseis

Ofensiva americana contra operação de drones iraniana perto de Bandar Abbas desencadeia retaliação contra base aérea dos EUA e ativa defesas aéreas no Kuwait.

Geopolítica4 veículos2 idiomas3 min de leituraAtualizado 04:12

Na madrugada de quinta-feira, o Golfo Pérsico acordou sob o estrondo de uma escalada militar de múltiplas frentes. As forças armadas dos EUA atacaram um alvo na periferia do aeroporto de Bandar Abbas, no Irão, alegadamente uma operação de drones que ameaçava a navegação comercial e unidades americanas no Estreito de Ormuz. Quase em simultâneo, o Kuwait reportou interceções de mísseis e drones, atribuídos a um “inimigo” não identificado, enquanto o Irão retaliou com um ataque à base aérea norte-americana de onde partiu a agressão.

A cronologia dos eventos, ainda envolta em versões contraditórias, revela uma dinâmica de ação e resposta. Fontes iranianas, citadas pela agência Mehr, descrevem que navios americanos tentaram forçar a passagem pelo estratégico estreito sem coordenação, sendo bloqueados por unidades navais da Guarda Revolucionária. A retirada forçada teria precipitado o ataque aéreo americano, que Washington justificou como medida de proteção. A resposta iraniana foi imediata: “a base aérea americana que foi a origem da agressão foi atingida às 4h50”, anunciou o Corpo de Guardas da Revolução Islâmica, num comunicado que prometia represálias mais severas em caso de repetição.

Enquanto isso, o Kuwait emitia um alerta invulgar, aconselhando a população a cumprir as diretrizes de segurança e explicando que as explosões ouvidas se deviam à ação das suas baterias antiaéreas. As autoridades kuwaitianas não apontaram a proveniência dos projéteis, mas o anúncio coincidiu com os momentos de maior tensão, sugerindo que o emirado se viu no trajeto de artefactos lançados naquele tabuleiro conturbado.

Na perspetiva de Brasília, o episódio reacende os receios sobre a estabilidade do fornecimento energético global, com possíveis repercussões nos preços do petróleo e na segurança das rotas marítimas. Observadores em Lisboa notam que o recrudescer das hostilidades coloca a diplomacia europeia numa posição delicada, já que decorriam negociações entre Washington e Teerão para um cessar-fogo. O facto de os EUA terem conduzido esta ofensiva enquanto decorriam conversações – e de o Irão ter respondido sem hesitação – fragiliza qualquer confiança mútua e adensa as dúvidas sobre a viabilidade de um acordo duradouro. Para os países africanos lusófonos, dependentes das importações de crude e da estabilidade cambial, a espiral de violência no Golfo representa um risco acrescido de inflação e perturbação económica, ainda que os efeitos possam demorar a materializar-se.

A situação permanece volátil. Os Estados Unidos afirmam ter intercetado drones iranianos lançados posteriormente, enquanto Teerão nega que os estrondos ouvidos em Bandar Abbas correspondam a uma explosão. A ausência de canais de comunicação confiáveis e a velocidade das retaliações sugerem que o contágio regional, envolvendo estados terceiros como o Kuwait, é um cenário cada vez menos remoto.

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