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segunda-feira, 8 de junho de 2026 · Edição das 20:00 CET

Itália racha sobre adesão da Ucrânia à UE e expõe fratura na direita europeia

Proposta da Comissão Europeia para abrir negociações em junho provoca oposição frontal da Liga e apoio condicionado do ministro Antonio Tajani, lançando incerteza sobre a coesão do governo Meloni.

Geopolítica7 veículos3 idiomas3 min de leituraAtualizado 04:13

A intenção de Bruxelas de propor, a 16 de junho, o primeiro capítulo negocial para a entrada da Ucrânia na União Europeia fraturou de imediato a maioria que sustenta o executivo italiano. Enquanto a Liga, partido do vice-primeiro-ministro Matteo Salvini, se declarou «absolutamente contrária a qualquer hipótese de adesão», o ministro dos Negócios Estrangeiros, Antonio Tajani, da Força Itália, garantiu que o governo é favorável ao percurso europeu de Kiev, mas ressalvou que «não devemos esquecer os outros países candidatos», numa alusão direta aos Balcãs Ocidentais. O desencontro revela não apenas uma divisão governamental, como também o desconforto que o alargamento a Leste continua a gerar em setores da direita soberanista europeia.

A Comissão Europeia deverá formalizar no Conselho de Assuntos Gerais a abertura do primeiro dos seis grupos temáticos — o chamado “cluster dos Fundamentos” —, que abrange matérias como independência judicial, combate à corrupção, funcionamento das instituições democráticas e bases económicas. A iniciativa, avançada pela agência Interfax com base em fontes comunitárias, antecede a cimeira de líderes dos dias 18 e 19 de junho e inclui também a Moldávia. Trata-se de um gesto político de grande simbolismo, já que este bloco de capítulos condiciona todo o processo negocial e é visto como o teste decisivo para o realinhamento estratégico da UE no flanco oriental.

Em Roma, a nota da Liga foi demolidora: «Kiev na UE representaria um dano económico e social de enormes proporções, além de não ter os requisitos necessários que outros países obtiveram após anos de trabalho». Já Tajani, em declarações no Chipre, reiterou o apoio ao percurso de adesão, mas introduziu um travão — «é preciso um equilíbrio que não penalize os Balcãs, há anos na antecâmara europeia» — que ecoa a resistência de várias capitais ao que percebem como um atalho político para a Ucrânia. A oposição de centro-esquerda, por seu lado, acusou o executivo de “tilt” e exigiu que a primeira-ministra Giorgia Meloni clarifique a posição italiana, num momento em que a credibilidade do país em Bruxelas está sob escrutínio.

Na perspetiva de Lisboa, onde o governo socialista sempre apoiou o alargamento como instrumento de estabilização da vizinhança, a querela italiana revela a fragilidade do consenso europeu quando a guerra na Ucrânia deixa de ser prioridade unânime. Observadores em Brasília notam que a divisão num Estado fundador como a Itália envia um sinal de instabilidade que pode ser lido por potências como a China e a Rússia como erosão da determinação ocidental. Para os países africanos de língua oficial portuguesa, cujas próprias organizações regionais enfrentam o desafio de aprofundar a integração sem atropelar soberanias, o debate europeu serve de espelho: a tensão entre urgência geopolítica e rigor meritocrático é universal.

A confirmar-se a proposta da Comissão no Conselho de junho, a presidência rotativa belga terá de gerir um dossier que cruza a guerra, o cansaço dos eleitorados e o recrudescimento de forças eurocéticas. A verdadeira negociação política começará depois, mas já é evidente que a adesão da Ucrânia — ainda que a anos de distância — dificilmente escapará a uma reconfiguração mais ampla das regras de entrada e dos equilíbrios internos da União. A clareza de Meloni nas próximas semanas poderá ser determinante para evitar que a fratura italiana se transforme numa paralisia europeia.

Como a mesma história é contada em outros lugares.

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Stampa russa e CSI · statoStampa europea continentale · mediterranea
Stampa russa e CSI/ statodistaccopragmatismo

Russian media relay that the European Commission plans to propose on 16 June the opening of the first negotiating cluster for Ukraine's EU accession, citing a senior official and the Euractiv outlet. The report is delivered without editorial comment, simply noting that initial talks would focus on core democratic and economic principles.

Stampa europea continentale/ mediterraneaallarmescetticismoindignazione

The Brussels proposal to begin EU accession negotiations with Ukraine has laid bare deep rifts within Italy's ruling coalition. The League party is fiercely opposed, arguing Ukraine does not meet the criteria and would cause enormous economic and social damage, while Forza Italia supports the process but insists the Western Balkans must come first. Opposition forces accuse the government of being in disarray and demand clarity from Premier Meloni.

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