Fifa investigada nos EUA por preços abusivos e engano nos bilhetes do Mundial 2026
Procuradores de Nova Iorque e Nova Jérsia emitem intimações à Fifa, enquanto mercado secundário revela queda de preços e procura hoteleira fraca

As procuradoras-gerais de Nova Iorque e Nova Jérsia anunciaram uma investigação conjunta às práticas de venda de bilhetes da Fifa para o Mundial 2026, emitindo intimações que obrigam a entidade a fornecer documentos internos. A investigação centra-se nos oito jogos que decorrerão no MetLife Stadium, incluindo a final, e surge na sequência de múltiplas queixas de adeptos que, após a compra, foram transferidos para lugares de categoria inferior sem aviso prévio. As autoridades falam num “labirinto de confusão, falsa escassez e preços impossivelmente altos”, citando indícios de manipulação de mapas de lugares e de um sistema de preços dinâmicos que terá inflacionado artificialmente o custo dos ingressos.
O contraste com os números oficiais é gritante. Embora a Fifa afirme ter vendido mais de cinco milhões de entradas, a imprensa brasileira relata que no mercado secundário norte-americano os preços dos bilhetes mais baratos da fase de grupos caíram entre 23% e 30% desde abril, situando-se agora na casa dos 560 dólares. A mesma fonte indica que a procura hoteleira em várias cidades-sede permanece muito abaixo do esperado, lançando dúvidas sobre o verdadeiro impacto económico do torneio. Na perspetiva de Brasília, essa queda pode beneficiar os milhares de adeptos brasileiros que planeiam viajar para os EUA, que encontram agora bilhetes mais acessíveis do que há um mês, embora num ambiente de incerteza sobre a fiabilidade das localizações.
A investigação ganha contornos particularmente sensíveis por se tratar da primeira Copa do Mundo organizada em casa no futebol moderno dos Estados Unidos e por envolver um modelo inédito de preços dinâmicos, que ajusta o valor dos ingressos conforme a procura instantânea. Observadores em Lisboa notam que o escrutínio pode criar um precedente incómodo para a Fifa, especialmente porque em 2030 o Mundial regressa parcialmente à Europa, com Portugal como um dos anfitriões. Qualquer confirmação de práticas enganosas mancharia a imagem do organismo e alimentaria exigências de maior transparência nas futuras edições, inclusive nos estádios lusitanos.
Para já, as procuradoras apoiam-se também na agência de defesa do consumidor da cidade de Nova Iorque. O desfecho desta investigação poderá forçar a Fifa a reformular os seus mecanismos de venda antes do apito inicial ou, no limite, a indemnizar os adeptos lesados. Mais do que um embate jurídico, o caso expõe a tensão entre a narrativa oficial de um evento superlativo e uma realidade de entusiasmo moderado, onde a combinação de preços elevados, lugares incertos e uma economia incerta começa a minar a confiança na maior festa do futebol mundial.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
While the New York and New Jersey AGs probe FIFA over ticket sales, the real story is the unexpectedly weak demand: hotel occupancy is low and secondary-market ticket prices are dropping. The supposed economic legacy of the US-hosted World Cup looks shaky, official hype notwithstanding.
New York and New Jersey attorneys general have subpoenaed FIFA, alleging 'fake scarcity and impossibly high prices' in World Cup ticket sales. The inquiry focuses on whether fans were misled about seat locations and pricing.
Democratic attorneys general launched a joint probe into FIFA's 'soaring' ticket prices and claims that fans were misled about seat locations. Subpoenas demand records on pricing and sales, framing the investigation as a consumer-protection fight against a global sports body.
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