Entrar
Edição das 06:00 CETquinta-feira, 11 de junho de 2026
287 veículos · 16 idiomas0 briefing hoje
segunda-feira, 8 de junho de 2026 · Edição das 20:00 CET

Canadá troca Boeing pela sueca Saab e negoceia frota de aviões de alerta aéreo

Ottawa rejeita proposta dos EUA e opta pelo GlobalEye, enquanto Estocolmo duplica produção; decisão ecoa na Lusofonia e reforça autonomia estratégica.

Economia7 veículos3 idiomas3 min de leituraAtualizado 04:28

O Governo canadiano anunciou a abertura de negociações com a sueca Saab para a aquisição do sistema aerotransportado de vigilância e comando GlobalEye, preterindo a alternativa norte-americana Boeing E-7 Wedgetail. A decisão, comunicada pelo primeiro-ministro Mark Carney durante a maior feira de defesa do país, em Otava, sinaliza um afastamento estratégico da dependência de fornecedores militares de Washington. “Com um conjunto de sensores avançados e sistemas de missão, o GlobalEye será um recurso essencial para as forças armadas canadianas detetarem e dissuadirem ameaças no Ártico”, afirmou Carney, sublinhando a importância de proteger a vasta fronteira setentrional.

A plataforma escolhida assenta no jato Global 6500, da fabricante canadiana Bombardier, uma circunstância que reforça a dimensão industrial e política da operação. Ao mesmo tempo, a imprensa sueca adianta que a Saab se prepara para um salto produtivo: em entrevista ao Dagens Industri, o presidente executivo Micael Johansson garantiu que a empresa “vai, no mínimo, duplicar o número de aeronaves produzidas por ano”. A expectativa de fechar um contrato de até seis unidades com o Canadá insere-se, assim, numa carteira de encomendas que já inclui Suécia, França e Emirados Árabes Unidos, e que deverá crescer nos próximos meses.

Na perspetiva de Lisboa, a opção canadiana aprofunda a autonomia de defesa europeia e pode inspirar outros membros da NATO a modernizarem as suas capacidades de alerta aéreo sem recurso exclusivo a material norte-americano. Já observadores em Brasília recordam que o Brasil é parceiro estratégico da Saab desde o programa Gripen, e que a Força Aérea Brasileira mantém interesse em aeronaves de vigilância avançada para monitorizar a Amazónia e a fachada atlântica. A eventual abertura de uma linha de produção adicional ou de um centro de manutenção, favorecida pela duplicação da cadência, poderia encontrar terreno fértil na cooperação com a Embraer e na política de transferência de tecnologia do Governo brasileiro.

A imprensa britânica, nomeadamente o Guardian, destaca que a escolha canadiana ocorre num momento em que Otava procura reassumir a plena responsabilidade pela segurança do Ártico, após décadas de dependência da cobertura radar norte-americana. O anúncio foi também celebrado pelo primeiro-ministro sueco, Ulf Kristersson, que nas redes sociais deu as boas-vindas ao Canadá à “família GlobalEye”, descrevendo o sistema como “muito moderno e capaz”. A conjugação do engajamento sueco com a plataforma do Bombardier atenua tensões e cria uma dinâmica transatlântica favorável à Saab.

Para os países lusófonos com ambições de modernização militar, como Angola e Moçambique, a duplicação da produção de aviões de alerta aéreo poderá, a prazo, criar uma oferta mais acessível e adaptada às necessidades de vigilância costeira e territorial. Embora não existam negociações conhecidas, a trajetória da Saab — que soube tecer alianças industriais duradouras no hemisfério sul — aponta para uma estratégia de ampliação geográfica das suas vendas. O desfecho das negociações com Otava será, por isso, um termómetro para a reconfiguração do mercado global de defesa, cada vez menos alinhado com as lógicas unipolares do passado.

Como a mesma história é contada em outros lugares.

TomTemperaturaFocoPosicionamentoHorizonte
Stampa europea continentale · nordicaStampa atlantica / anglosfera · sicurezza
Stampa europea continentale/ nordicatrionfopragmatismo

Swedish Saab is on the verge of a landmark deal to supply GlobalEye surveillance planes to Canada, sidelining US bids. The agreement, built on the Canadian Bombardier Global 6500 airframe, is hailed as a triumph for European defence industry and will at least double production. Political leaders welcome the growing Global Eye family and the enhanced ability to monitor Arctic threats.

Stampa atlantica / anglosfera/ sicurezzascetticismoallarme

Canada snubs Boeing and US defence firms by opting for Swedish aircraft, signalling a deliberate effort to reduce reliance on American military hardware. The Carney government's move reshapes the transatlantic defence market and marks a setback for US industry, raising questions about the competitiveness of American offerings in a key allied market.

Esta notícia apareceu em

7 veículos · 3 idiomas · janela de 24 horas

Sydsvenskan
The Guardian
Dagens Nyheter
Dagens Industri
Östgöta Correspondenten
The Hill
Liberty Times