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EUA e Irão trocam ataques em plena trégua; Trump nega acordo e petróleo dispara

Os Estados Unidos bombardearam um centro de drones em Bandar Abbas e a Guarda Revolucionária iraniana retaliou contra uma base aérea americana. Trump negou qualquer entendimento sobre o Estreito de Ormuz, fazendo o petróleo saltar para perto de 98 dólares.

Geopolítica23 veículos10 idiomas3 min de leituraAtualizado 04:12

A madrugada de quinta-feira trouxe uma perigosa escalada no Golfo Pérsico. Os Estados Unidos atingiram uma estação de controlo de drones em Bandar Abbas, no sul do Irão, depois de abaterem quatro aparelhos não tripulados que, segundo Washington, ameaçavam forças americanas e navios comerciais na zona. Horas mais tarde, a Guarda Revolucionária iraniana anunciou ter alvejado a base aérea de onde partiu a agressão — um ataque de retaliação que, de acordo com o Kuwait, envolveu mísseis e drones intercetados sobre o emirado. Um responsável norte-americano classificou a operação como “puramente defensiva” e destinada a preservar o cessar-fogo.

O novo ciclo de violência, o segundo em três dias, expõe a fragilidade da trégua acordada no início de abril. O Presidente Donald Trump negou categoricamente qualquer esboço de acordo com Teerão para reabrir o Estreito de Ormuz e ameaçou “explodir” Omã se o sultanato tentar controlar a via marítima. “Ninguém vai controlar aquele estreito. São águas internacionais”, afirmou, enquanto o secretário de Estado Marco Rubio reiterava que o Irão “nunca terá uma arma nuclear”. A retórica belicista foi acompanhada pelo reforço do bloqueio naval, com cerca de 15 mil militares destacados na região.

Os mercados reagiram de imediato: o barril de Brent do Mar do Norte chegou a tocar os 97,29 dólares, uma subida superior a 3%, e o West Texas Intermediate avançou para 91,71 dólares. A cotização só arrefeceu quando o site Axios noticiou um possível princípio de entendimento, sujeito à aprovação de Trump, que o presidente disse necessitar de “alguns dias” para avaliar. Para economias lusófonas, a volatilidade tem impacto direto: em Lisboa, a fatura energética agrava a pressão sobre as contas públicas; em Brasília, o temor é o efeito inflacionário dos combustíveis, apesar de o Brasil ser exportador líquido; e em Luanda, a subida das cotações pode aliviar momentaneamente as finanças, mas a incerteza afasta o investimento externo.

Analistas temem que o padrão de retaliações limitadas erosione a já débil pausa nos combates, num momento em que Israel também intensifica os bombardeamentos sobre Beirute e o sul do Líbano, ignorando o cessar-fogo em Gaza. A convergência de crises — Golfo Pérsico, Levante e a Faixa de Gaza — alimenta o risco de um conflito regional mais amplo. Enquanto Teerão avisa que “a resposta será mais decisiva” se os ataques persistirem, a diplomacia parece paralisada, deixando o preço do petróleo e a segurança da navegação mundial reféns de um novo capítulo de instabilidade.

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