EUA confirmam perda de drone de 240 milhões e satélites revelam operação secreta no Irão
A Marinha dos EUA confirmou a queda de um MQ-4C Triton no Golfo Pérsico, enquanto imagens de satélite mostram destroços de aeronaves junto ao complexo nuclear de Isfahan, levantando dúvidas sobre os objetivos da missão de resgate.

A confirmação pela Marinha dos Estados Unidos da perda de um avião não tripulado MQ-4C Triton, avaliado em cerca de 240 milhões de dólares – mais do dobro do custo de dois caças F-35 –, veio sublinhar a escalada de perdas materiais na guerra com o Irão. O drone de vigilância estratégica desapareceu a 9 de abril quando sobrevoava o Golfo Pérsico, após emitir um sinal de emergência “código 7700”, e caiu em circunstâncias ainda não esclarecidas. O acidente, registado num relatório de aviação do Comando de Segurança Naval, não provocou feridos, mas expôs a vulnerabilidade dos meios aéreos mais avançados dos EUA numa região onde o Irão já abatera um F-15E Strike Eagle no início do mesmo mês.
Enquanto a perda do Triton concentrava atenções pelo seu valor financeiro e capacidade de informação, novas imagens de satélite de alta resolução, captadas pela empresa Soar Atlas, revelaram o lado caótico de outra operação americana. As fotografias mostram vários destroços de aeronaves numa pista de terra abandonada perto de Shahreza, na província de Isfahan, que aloja o complexo nuclear chave do Irão. A imagem documenta os vestígios da missão de resgate dos dois tripulantes do F-15E abatido, mas a dimensão da operação – uma armada de 155 aeronaves para salvar apenas dois aviadores – e a proximidade a instalações nucleares sugerem que a incursão poderá ter tido objectivos mais amplos, ainda por esclarecer.
Na perspetiva de Brasília, o recrudescer das hostilidades no Médio Oriente é observado com inquietação, sobretudo pelo possível impacto nos preços do petróleo e na segurança das rotas marítimas, vitais para a economia brasileira. Observadores em Lisboa, por seu turno, sublinham que a rápida deslocação de um segundo Triton para a base aérea de Sigonella, na Sicília – confirmada por fontes russas –, demonstra a determinação dos EUA em manter a superioridade de informações na região, mas também acende alertas na NATO sobre um alastramento do conflito. Em Luanda e Maputo, a instabilidade no Estreito de Ormuz é acompanhada com apreensão, dado que o Golfo Pérsico continua a ser uma artéria essencial para o escoamento do crude angolano e moçambicano.
O conjunto destes desenvolvimentos – um drone de valor histórico destruído, uma operação de resgate com contornos enigmáticos e a reposição célere de meios – traça um quadro de uma guerra cada vez mais dispendiosa e imprevisível. A repetição de incidentes aéreos em espaço aéreo hostil, sem que as circunstâncias exatas sejam esclarecidas, alimenta especulações sobre o verdadeiro alcance das operações americanas e sobre a capacidade de Teerão para interferir nos sistemas de vigilância mais sofisticados. Para os países lusófonos, a tensão permanente no Golfo impõe a urgência de diversificar mercados energéticos e de aprofundar a discussão sobre a segurança coletiva, num momento em que o Atlântico Sul ganha renovado valor estratégico.
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