UE apresenta app de verificação de idade para redes sociais, sob críticas de privacidade
Comissão Europeia anuncia aplicação de verificação de idade para plataformas online, tecnicamente pronta e de código aberto, mas especialistas alertam para riscos de privacidade e vigilância massiva.

Bruxelas anunciou esta semana que está tecnicamente pronta uma aplicação de verificação da idade dos utilizadores de plataformas online, como redes sociais. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que o instrumento permitirá aos cidadãos comprovar a idade de forma simples, sem revelar dados pessoais às empresas tecnológicas, à semelhança do certificado digital de vacinação da covid-19. A app, que funcionará em smartphones, tablets e computadores, será de código aberto, podendo ser adotada por países parceiros da UE. A tecnologia permitirá aos utilizadores mostrar que têm idade para aceder a determinados serviços, tal como se mostra um documento ao comprar bebidas alcoólicas, mas sem expor a identidade perante as plataformas.
A iniciativa surge num contexto de crescente pressão global para proteger menores de conteúdos nocivos. Na Suíça, a aplicação terá impacto direto, uma vez que as plataformas digitais tendem a seguir as regras comunitárias, afetando utilizadores de todas as idades. Paralelamente, especialistas consultados pelo Le Temps alertam para os enormes riscos ocultos: desde a possibilidade de vigilância massiva até à exclusão digital de quem não possui documentos de identificação. A promessa de uma “solução simples e gratuita” é recebida com ceticismo por organizações de defesa da privacidade, que veem no sistema um potencial instrumento de controlo, e não apenas de proteção infantil.
Politicamente, o anúncio marca uma tentativa de von der Leyen de recuperar iniciativa, depois de um período de perfil baixo durante a crise do Golfo. A aplicação, testada em cinco Estados-membros incluindo a Itália, replica o modelo da bem-sucedida plataforma de rastreio pandémico, usada por 67 países. “Cabe aos pais educar os filhos, não às plataformas”, sublinhou a presidente, num discurso que procura capitalizar uma causa popular e transversal ao eleitorado europeu.
No mundo lusófono, Portugal, enquanto membro da UE, integrará a nova ferramenta assim que estiver operacional. Observadores em Brasília notam que o debate sobre a regulação das plataformas no Brasil pode ganhar um novo referencial, com a possibilidade de adoção de mecanismos semelhantes no futuro. Nos países africanos de língua portuguesa, as condições de conectividade e identificação digital ainda são um obstáculo, mas o código aberto da app europeia poderá facilitar adaptações locais, num contexto em que a proteção da infância online se afirma como prioridade global.
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