Erdogan garante a líder dos Emirados apoio total face ao conflito entre Irão e EUA
Conversa telefónica entre os presidentes da Turquia e dos Emirados Árabes Unidos reforça cooperação económica e de defesa, num momento em que Abu Dhabi procura equilibrios regionais perante a escalada de tensões.

O Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, assegurou este sábado ao homólogo dos Emirados Árabes Unidos, Xeque Mohammed bin Zayed Al Nahyan, o contínuo «apoio total à soberania e segurança» do país do Golfo, num telefonema dominado pelas repercussões do conflito entre o Irão e os Estados Unidos. Erdogan exprimiu pesar pelos problemas que a região atravessa e reiterou o empenho de Ancara em robustecer a cooperação bilateral nos domínios do comércio, da energia e da segurança — áreas em que as duas nações têm multiplicado os entendimentos nos últimos anos.
Na perspetiva de Abu Dhabi, o diálogo foi descrito sobretudo como uma oportunidade para aprofundar os laços económicos e de desenvolvimento. As agências oficiais emiratis sublinharam que os dois líderes analisaram as várias vertentes da parceria no quadro do Acordo de Parceria Económica Abrangente, incluindo a participação dos EAU na feira de indústrias de defesa, aviação e espaço «Saha Expo 2026», em Istambul. Este destaque dado à dimensão expositiva e comercial — ausente das notas divulgadas pela presidência turca — revela, segundo analistas, a vontade de projectar uma imagem de normalidade e de diversificação económica, num momento de forte imprevisibilidade securitária.
Observadores em Teerão, por seu turno, captaram um outro elemento: a menção à visita, na véspera, do vice-presidente emirati Xeque Mansour bin Zayed ao Palácio Dolmabahçe, em Istambul, onde foi recebido por Erdogan. A proximidade temporal dos encontros sugere uma concertação diplomática intensa, destinada a preservar a margem de manobra dos EAU face a um eventual agravamento do diferendo entre Washington e Teerão. A garantia turca de apoio surge, assim, como um trunfo para Abu Dhabi, que desde a assinatura dos Acordos de Abraão tem procurado equilibrar a sua aliança estratégica com os EUA e a vizinhança difícil com o Irão.
Na Europa do Sul e no Atlântico, onde se situam parceiros próximos do mundo lusófono, o reposicionamento turco é acompanhado com atenção. Em Lisboa, a diplomacia acompanha o reforço da presença económica da Turquia no Golfo, que complementa os investimentos já em curso em África, enquanto, de Brasília, analistas notam que a estabilidade na região é crucial para os fluxos energéticos e de matérias-primas que abastecem o Brasil. O envolvimento de Ancara como fiador da segurança de um Estado-chave como os EAU adiciona complexidade a um tabuleiro já carregado de tensões.
O entendimento expresso na chamada reflecte a maturação de um eixo Ancara-Abu Dhabi que, depois de anos de antagonismo, se consolidou com a troca de visitas de alto nível e a ratificação de acordos comerciais profundos. A confirmar-se um agravamento do braço de ferro entre Irão e EUA, a capacidade de a Turquia funcionar como um parceiro de segurança credível será testada, ao mesmo tempo que os Emirados tentam manter abertos os canais de diálogo. A ênfase conjunta na cooperação económica e na redução das tensões — visível nos comunicados de ambas as capitais — indica que, para já, a prioridade consiste em conter a escalada e proteger os alicerces de um desenvolvimento que se quer partilhado por toda a região.
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