Cuba admite esgotamento total de combustível e enfrenta apagões e protestos em massa
Ministro da Energia afirma que o país ficou sem reservas de gasolina, diesel e fuelóleo, enquanto apagões atingem 70% da ilha e manifestações eclodem em Havana.

O governo cubano reconheceu na quarta-feira que o país esgotou por completo as suas reservas de combustível. Em conferência de imprensa televisionada, o ministro da Energia e Minas, Vicente de la O Levy, declarou: “Não temos absolutamente nada de fuel, não temos absolutamente nada de diesel – repito: absolutamente nada”. A confissão, uma das mais brutais feitas por um responsável do regime, expôs a profundidade de uma crise energética que já se arrasta desde 2024 mas que atingiu esta semana um ponto de rutura sem precedentes.
A penúria paralisou o Sistema Electroenergético Nacional. Na quinta-feira, o maior apagão simultâneo do ano desconectou 70% da ilha no horário de maior consumo, segundo a União Elétrica estatal, que reportou uma geração de apenas 976 megawatts para uma procura de 3.150 megawatts. No leste, todas as províncias – de Guantánamo a Ciego de Ávila – ficaram às escuras durante horas, enquanto em Havana os cortes chegaram a durar 22 horas ininterruptas. O défice previsto para o pico noturno seguinte superava os 2.000 megawatts, com a produção nacional estagnada em cerca de 1.100 megawatts.
Na capital, a exasperação extravasou as ruas. Centenas de pessoas reuniram-se em vários bairros na noite de quarta-feira, batendo panelas, bloqueando vias e entoando palavras de ordem como “Liguem a luz!”. A imprensa europeia descreveu os protestos como os maiores desde que a crise energética se agravou no início do ano, com jornalistas da Associated Press a testemunharem cenas de fúria popular. Embora de pequena escala, a eclosão de manifestações simultâneas em diferentes pontos da cidade constitui um sinal de alarme para um regime que há décadas controla firmemente o espaço público.
O executivo de Miguel Díaz-Canel atribui a responsabilidade exclusiva ao “bloqueio petrolífero” imposto pelos Estados Unidos no final de janeiro de 2026, quando o governo de Donald Trump apertou sanções e ameaçou com tarifas os países que vendessem combustível à ilha. Sem os fornecimentos habituais da Venezuela e do México, Cuba ficou sem margem de manobra. A retórica oficial fala em “cerco genocida”, mas observadores em Lisboa e Brasília notam que a crise também reflete décadas de subinvestimento na rede elétrica e de má gestão das fontes energéticas domésticas. Trump, por seu lado, ofereceu ajuda humanitária e internet gratuita, num gesto que acentua a clivagem ideológica.
Para o mundo lusófono, o colapso cubano evoca inquietações familiares. Portugal acompanha a situação com apreensão, dadas as ligações históricas e a presença de uma diáspora cubana crescente em território luso. No Brasil, o governo Lula, que tentou reposicionar-se como parceiro de Havana, verá a sua margem de influência reduzida se a crise se agravar e gerar um êxodo ainda maior. Em África, países como Angola e Moçambique, também vulneráveis à volatilidade dos preços do petróleo e a défices de infraestrutura elétrica, poderão ler na crise cubana um aviso sobre os riscos da dependência externa. A ilha entrou numa zona de perigo social, e a comunidade internacional, incluindo os aliados da CPLP, será chamada a responder.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
The energy crisis in Cuba is a direct result of the US economic blockade, which has cut off fuel supplies. The government reports a deficit of over 2,000 megawatts and up to 22 hours of blackouts daily. Protests in Havana are fueled by the unbearable conditions imposed by this 'genocidal' blockade.
Cuba's energy minister claims there is absolutely no fuel left, blaming the US blockade after Venezuela's oil deliveries were interrupted. The communist one‑party state faces rolling blackouts of up to 22 hours, with protests erupting in Havana. The government's assertion of total fuel exhaustion is reported with some caution.
Hundreds of people in Havana staged 'casserole protests' against the power cuts after more than 20 hours of blackouts. They blocked streets, burned rubbish, and chanted slogans criticizing the Cuban government. The authorities are under pressure as the energy crisis worsens with no end in sight.
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