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Chefe interino do ICE pede demissão após ofensiva migratória de Trump

Todd Lyons deixa o cargo em 31 de maio; agência responsável pelas deportações em massa está sob críticas por mortes de detidos e ações violentas, num vácuo de liderança que se arrasta desde Obama.

Geopolítica17 veículos7 idiomas2 min de leituraAtualizado 08:46

O diretor interino do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos EUA (ICE), Todd Lyons, apresentou sua demissão, confirmada pelo secretário de Segurança Interna, Markwayne Mullin. Lyons, veterano de duas décadas na agência, foi nomeado em março de 2025 para executar o plano de deportações em massa do presidente Donald Trump. Mullin elogiou o seu papel na remoção de “assassinos, estupradores e terroristas”, afirmando que a sua liderança tornou as comunidades americanas mais seguras. A saída está prevista para 31 de maio, quando o antigo diretor ingressará no setor privado.

Durante a gestão de Lyons, o ICE esteve no centro de uma ofensiva migratória controversa. Em audiência recente no Congresso, o próprio diretor revelou que a agência realizou 379 mil detenções e deportou mais de 475 mil pessoas em um ano. Sob o seu comando, o efetivo foi ampliado e rusgas foram lançadas em cidades como Chicago e Minneapolis. As operações desencadearam duras críticas: organizações de direitos humanos denunciam violações do devido processo legal e da liberdade de expressão. Em janeiro, agentes federais mataram a tiro dois cidadãos americanos no Minnesota, episódio que gerou protestos nacionais e reacendeu o debate sobre o uso da força. Dados oficiais apontam ainda que meio centenar de migrantes detidos pelo ICE morreram neste ano sob custódia.

Fontes anónimas indicam que Lyons pretende dedicar-se à família, incluindo os seus filhos em “momento crucial das suas vidas”, e que a sua carta de renúncia menciona o privilégio de servir na administração Trump. A saída cria um vazio de liderança numa agência que não tem um diretor confirmado pelo Senado desde o governo de Barack Obama. A nomeação interina de Lyons ocorrera num período de forte polarização política, e a sua sucessão será observada de perto pelos setores que exigem controlo migratório severo e pelos que denunciam abusos.

Na perspetiva da América Latina, a substituição no ICE reaviva a apreensão de países como o Brasil e o México, cujos cidadãos estão entre os mais afetados pelas deportações. Observadores em Lisboa e Madrid notam que a pressão transatlântica sobre a política migratória americana pode influenciar o tom do debate na União Europeia. Já analistas árabes sublinham que as rusgas tiveram impacto desproporcional sobre comunidades muçulmanas e do Médio Oriente. A incerteza sobre o sucessor, num ambiente de escrutínio crescente, deixa o ICE como um ponto nevrálgico da agenda de segurança interna dos EUA.

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