Assalto a banco em Nápoles: reféns, máscaras de atores e fuga pela rede de esgotos
Homens armados invadiram o Crédit Agricole e mantiveram 25 pessoas sob ameaça; escaparam por um túnel e deixaram centenas de clientes sem os seus bens pessoais.

Na manhã de quinta-feira, a filial do Crédit Agricole na praça Medaglie d’Oro, entre os bairros do Vomero e Arenella, transformou-se em palco de um assalto meticulosamente planeado. Cerca de 25 pessoas — clientes e funcionários — foram mantidas reféns durante quase duas horas por três ou mais homens armados, que usavam collants no rosto e, segundo alguns relatos, máscaras de atores famosos [A2][A4]. A ação não visava o numerário, mas as centenas de cassetes de segurança do cofre, cujo conteúdo foi saqueado enquanto decorria uma tensa negociação com os carabineiros que cercavam o edifício [A2][A6]. O desfecho surpreendeu as autoridades: quando a unidade especial GIS irrompeu pelo banco, os ladrões já tinham desaparecido, engolidos pela rede de esgotos por um túnel escavado no chão do caveau [A4][A11].
A imprensa italiana destaca o profissionalismo e a frieza dos criminosos. Um dos reféns afirmou que “não eram agressivos, não era como se vê em alguns filmes”, e que as ordens eram dadas em tom autoritário mas sem brutalidade [A1][A16]. Outra testemunha acrescentou que um dos assaltantes vestia calças semelhantes às dos estafetas de correio expresso [A1]. O jornal napolitano Il Fatto Quotidiano recolheu uma cena que ilustra o ambiente: os ladrões terão brincado, dizendo “viemos hoje porque amanhã é sexta-feira 17”, numa alusão à superstição [A10]. Ao mesmo tempo, cresce a suspeita de que um cúmplice interno tenha fornecido informações sobre a disposição do cofre e a rotina da agência — a hipótese de uma ‘talpa interna‘ é referida com destaque [A2].
A cobertura espanhola enfatiza o caráter cinematográfico do golpe. O El Mundo descreveu o momento em que um transeunte notou movimentação estranha e alertou o 112, desencadeando o cerco policial [A3]. Já o El País citou o autarca Gaetano Manfredi, que classificou a operação como “um trabalho de filme”, planeado de forma meticulosa [A11]. Para os observadores latino-americanos, o episódio evoca o assalto ao Banco Central do Brasil em Fortaleza, em 2005, igualmente executado por um túnel de engenharia rudimentar que surpreendeu o país.
Os meios russos e anglo-saxónicos focaram-se na impotência momentânea das forças de segurança. O Kommersant noticiou que a polícia de Nápoles invadiu o banco após duas horas, mas já encontrou apenas os reféns libertados, enquanto os ladrões se tinham evaporado pelas galerias subterrâneas [A17]. A BBC e a ABC australiana mostraram imagens de bombeiros a partir as janelas com aríetes para resgatar as vítimas ainda em choque [A5][A6]. Uma declaração oficial confirmou que não houve feridos graves, mas seis pessoas receberam cuidados médicos por stress agudo [A5].
O drama não terminou com a fuga. Centenas de clientes acorreram à filial assim que a notícia se espalhou, formando filas de desespero para saber se as suas cassetes tinham sido arrombadas [A7][A8]. Giampiero Lavaggi, um dos lesados, resumiu a tragédia à Affari Italiani: “Na minha cassete estavam as recordações de uma vida de uma família. Não eram apenas objetos, eram memórias” [A13]. A quantificação do prejuízo permanece impossível, já que o conteúdo das caixas só é conhecido pelos proprietários [A18]. As investigações agora concentram-se na rede de esgotos, cartografada por especialistas, enquanto os carabineiros mantêm uma caça ao homem que, para muitos, reabre o debate sobre a segurança das instituições bancárias em pleno centro urbano [A18].
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