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sexta-feira, 12 de junho de 2026 · Edição das 20:00 CET

Árbitro somali barrado nos EUA é escolhido pela UEFA para Supercopa Europeia

Omar Artan, impedido de entrar nos Estados Unidos para o Mundial-2026 apesar de visto válido, foi nomeado para arbitrar o jogo entre PSG e Aston Villa no dia 12 de agosto, em Salzburgo.

Esporte6 veículos3 idiomas3 min de leituraAtualizado 22:07

A nomeação do árbitro somali Omar Abdulkadir Artan para a Supercopa Europeia, anunciada pela UEFA na quinta-feira, representa mais do que uma escolha técnica: é uma resposta simbólica ao veto que o impediu de participar do Campeonato do Mundo de 2026, em curso nos Estados Unidos, Canadá e México. O juiz de 34 anos, eleito o melhor de África em 2025 e o primeiro somali a integrar a lista internacional da FIFA desde 2018, apitará o duelo entre Paris Saint-Germain e Aston Villa, em 12 de agosto, na cidade austríaca de Salzburgo. O presidente da UEFA, Aleksander Ceferin, justificou o gesto como uma forma de "mostrar respeito e sublinhar que o futebol foi criado para unir pessoas".

Artan desembarcou em Miami no sábado anterior à abertura do Mundial com um passaporte diplomático somali e um visto norte-americano de entrada única, mas foi detido e deportado pelas autoridades fronteiriças. O secretário da Segurança Interna dos EUA, Markwayne Mullin, recusou pormenorizar as razões, limitando-se a afirmar que o país "não permite a entrada de pessoas com antecedentes criminais ou possíveis laços com o crime". A FIFA, pela voz do seu presidente, Gianni Infantino, classificou o sucedido como "infeliz", mas lembrou que a organização desportiva não pode sobrepor-se a decisões governamentais. O caso frustrou a oportunidade histórica de Artan se tornar o primeiro somali a arbitrar um jogo de um Campeonato do Mundo, num momento em que a Confederação Africana de Futebol apostava na projeção dos seus quadros.

O incidente insere-se num quadro mais amplo de restrições migratórias que tem marcado este Mundial, o primeiro a ser coorganizado por três países e a alargar-se a 48 seleções. A imprensa norte-americana relata que dirigentes, membros de equipas e adeptos de várias nacionalidades também foram impedidos de entrar nos EUA, num ambiente de controlo fronteiriço reforçado pela administração Trump. A abertura da competição, a 11 de junho, com a vitória do México sobre a África do Sul por 2-0 no Estádio Azteca, decorreu sob a sombra de controvérsias sobre vistos, preços de bilhetes e as tensões políticas entre os anfitriões.

A decisão da UEFA de oferecer a Artan um palco europeu de grande visibilidade ecoa um desconforto partilhado por dirigentes e adeptos de regiões periféricas do futebol. Na perspetiva de Lisboa, onde o desporto é frequentemente encarado como veículo de integração de comunidades imigrantes, o episódio lança dúvidas sobre a capacidade de megaeventos sediados em países com políticas restritivas garantirem a universalidade de acesso. Para as federações africanas de língua oficial portuguesa, como Angola e Moçambique – que têm árbitros e jogadores em formação –, o caso reforça a perceção de que os vistos se tornaram uma barreira adicional à afirmação global. Já em Brasília, a memória do Mundial de 2014, onde as exigências de entrada foram menos rígidas, suscita comparações sobre o legado e a hospitalidade em torneios dessa dimensão.

Ao transformar um castigo numa celebração do talento, a UEFA não só restitui visibilidade a Artan como lança um sinal político: o desporto continuará a procurar brechas nos muros que se levantam entre as nações. O gesto não resolve o impasse migratório que paira sobre o Mundial norte-americano, mas mostra que as organizações desportivas estão atentas às consequências reputacionais das políticas dos Estados anfitriões. Enquanto a competição prossegue nos relvados dos EUA, o caso de Omar Artan permanecerá como um símbolo das contradições que emergem quando o espetáculo global encontra fronteiras cada vez mais fechadas.

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Lenta.ru12 de jun., 10:43
Ghanaian Times12 de jun., 10:44
Frontline12 de jun., 17:23
CNN Indonesia12 de jun., 10:44
Joy Online12 de jun., 10:44
Newsweek12 de jun., 19:26