Apoio ao casamento gay recua nos EUA enquanto jovens europeus redescobrem crédito e matrimônio
Pesquisa Gallup mostra queda de 71% para 65% em dois anos, com republicanos a impulsionar recuo; em Itália, sub-30 lideram expansão do crédito e regresso ao casamento.

Os Estados Unidos assistem a um recuo inédito no apoio ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, de acordo com uma nova sondagem Gallup divulgada em junho de 2026. Apenas 65% dos adultos defendem a legalidade destas uniões, uma descida de seis pontos face ao pico de 71% registado em 2022 e 2023, quebrando uma tendência de crescimento contínuo de mais de duas décadas. A erosão é especialmente acentuada entre os republicanos: só 37% aprovam o casamento gay e 35% consideram as relações homossexuais moralmente aceitáveis.
Esta alteração de sensibilidade cultural surge num clima de forte desgaste político para o presidente Donald Trump. Três inquéritos distintos mostram a sua taxa de aprovação na gestão da inflação em terreno profundamente negativo, com valores líquidos de -56, -30 e -48 pontos, respetivamente. Alargando o foco, duas sondagens nacionais revelam que Trump está agora debaixo de água em todas as áreas políticas, incluindo imigração e segurança fronteiriça — os seus tradicionais redutos eleitorais. Com as eleições intercalares de novembro no horizonte, a economia e os direitos civis emergem como vetores de insatisfação que podem reconfigurar o mapa político.
Do outro lado do Atlântico, a geração Z europeia desenha um retrato contrastante. Em Itália, dados do final de 2025 e do primeiro quadrimestre de 2026 mostram os menores de 30 anos como o único grupo demográfico em crescimento em todos os produtos de crédito monitorizados: os empréstimos pessoais dispararam 43% em termos homólogos, as soluções “compre agora, pague depois” subiram 52% e os créditos à habitação avançaram 38%. A par deste ímpeto financeiro, observa-se um regresso ao matrimónio e à vida a dois. Um relatório do Istat revela que 74,5% dos jovens italianos entre os 11 e os 19 anos se imaginam a viver em casal no futuro e apenas 5,1% se projetam sozinhos, sugerindo uma redescoberta das promessas de compromisso afetivo que pareciam em declínio.
A justaposição dos dois cenários convida a uma leitura geracional mais matizada. Enquanto nos EUA o recuo nos direitos LGBTQ+ se combina com uma crise de confiança na liderança económica, a juventude europeia parece procurar estabilidade através do endividamento controlado e da formalização de laços familiares — um comportamento que analistas em Lisboa e Milão interpretam como uma reação à precariedade herdada da pandemia e da inflação. Para leitores no espaço lusófono, este contraste não é alheio: no Brasil, o crédito jovem também cresce impulsionado por fintechs, e o apoio ao casamento igualitário permanece alto, embora sob pressão de uma frente conservadora religiosa com traços semelhantes ao eleitorado republicano. Em Portugal, onde o casamento entre pessoas do mesmo sexo é legal desde 2010, as sondagens indicam uma estabilidade no consenso social, mas os efeitos de polarização global recomendam vigilância.
A divergência transatlântica projeta-se nos próximos meses. As eleições intercalares americanas funcionarão como um referendo às políticas de Trump e ao ambiente de direitos civis, enquanto a capacidade de endividamento dos jovens europeus — celebrada pelos credores mas vigiada pelos reguladores — testará a sustentabilidade de um consumo assente na confiança. O que está em causa, em ambos os lados, é a arquitetura das expectativas: direitos consolidados podem revelar-se mais frágeis do que se supunha, e a procura de segurança, seja através de um contrato nupcial ou de um crédito ao consumo, redefine os termos do futuro.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
Generation Z is taking on personal loans and buy‑now‑pay‑later schemes at record speed, often through insecure financial instruments. Meanwhile, under‑30 Italians are rediscovering marriage and couple life, with 74.5% envisioning a steady partnership. A blend of economic pragmatism and a return to tradition that could reshape demographic outlooks.
Support for same‑sex marriage in the United States drops to 65%, with a sharp decline among Republicans, abruptly reversing two decades of gains. Trump's approval rating plunges across all issues, fueling fears of a conservative shift that endangers hard‑won civil rights.
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