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Yeman Crippa faz história na Maratona de Paris com vitória inédita e recorde pessoal

Italiano vence pela primeira vez na capital francesa com 2h05'18'', quebrando jejum europeu de 24 anos; no mesmo fim de semana, Zurique celebra pódio local e domínio queniano.

Sociedade8 veículos3 idiomas3 min de leituraAtualizado 10:34

A maratona de Paris, uma das mais concorridas do mundo com quase 60 mil participantes, assistiu este domingo a um feito sem precedentes: o italiano Yeman Crippa cruzou a meta sob o Arco do Triunfo em 2 horas, 5 minutos e 18 segundos, tornando-se o primeiro atleta do seu país a inscrever o nome no palmarés da prova. A marca, melhor registo pessoal do fundista de 29 anos, representa a segunda melhor prestação italiana de sempre na distância, apenas atrás do recorde nacional de Iliaas Aouani. “Hoje começa a minha carreira de maratonista”, afirmou o corredor das Fiamme Oro, numa catarse que ecoou o desencanto dos Jogos Olímpicos de 2024.

Crippa construiu o triunfo com uma gestão de prova quase perfeita. Permaneceu no grupo dianteiro até lançar o ataque decisivo a 1500 metros do final, num troço em pavé de ligeira inclinação descendente, descolando o etíope Bayelign Teshager (2h05'23''), o queniano Sila Kiptoo (2h05'28'') e o djibutiano Mohamed Ismail (2h05'38''). O feito adquire ainda maior relevo histórico porque quebrou um interregno europeu que durava desde 2002, quando o francês Benoit Zwierzchiewski ali vencera. Analistas em Lisboa sublinham o simbolismo de um europeu destronar a tradicional hegemonia africana numa das montras nobres do atletismo, num percurso que no ano passado recebeu a prova olímpica.

No mesmo fim de semana, o panorama dos 42,195 quilómetros europeus ofereceu outro episódio relevante a partir de Zurique. A suíça Selina Ummel, de 28 anos, subiu ao pódio na terceira posição, melhorando a sua marca pessoal em cerca de cinco minutos, ao cronometrar 2h39'13'', embora sem conseguir acompanhar as quenianas Lydia Cheruto (2h28'25'') e Anastasha Rono (2h31'58''). Na prova masculina, o domínio queniano foi ainda mais expressivo, com Davis Kiplangat e Vincent Kipsang Rono a monopolizarem os dois primeiros lugares. A presença suíça no pódio e a dupla vitória africana confirmam um cenário de competitividade cruzada que, da perspetiva de Brasília, não encontra paralelo imediato no atletismo lusófono, onde a maratona ainda aguarda uma afirmação equivalente nas grandes clássicas europeias.

A jornada consolida Crippa como um nome a seguir na rota dos grandes maratonistas, num momento em que o fundo italiano parece encontrar novo fôlego. A capacidade de executar um negative split — correr a segunda metade mais rápida do que a primeira — e a confiança demonstrada na reta final indiciam maturidade táctica que, até agora, parecia reservada aos africanos. A vitória em Paris pode representar um ponto de viragem, quer para o atleta, quer para a perceção da Europa enquanto viveiro competitivo na mais longa distância do atletismo de pista e estrada.

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