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Trump e vice Vance atacam Papa Leão XIV; imagem de Jesus gerada por IA agrava crise

Após chamar o pontífice de "fraco" e "terrível", presidente dos EUA apagou a imagem alegando que era "eu como médico". Vice-presidente Vance pediu que o Vaticano se ativesse a questões morais.

Sociedade14 veículos3 idiomas3 min de leituraAtualizado 09:54

A escalada do conflito entre Donald Trump e o Papa Leão XIV atingiu um novo patamar de tensão simbólica no último fim de semana. O presidente norte-americano utilizou a sua rede Truth Social para atacar duramente o sumo pontífice, classificando-o como “fraco na questão do crime e catastrófico em política externa”, acusando-o de ignorar alegados abusos durante a pandemia e de considerar “terrível” a intervenção dos EUA na Venezuela. Trump acrescentou ainda que Leão XIV deveria ser grato, pois só foi eleito por ser americano. Horas mais tarde, publicou uma imagem gerada por inteligência artificial que o mostrava a curar um doente numa cama de hospital, numa pose que evocava representações de Jesus Cristo. Apagada após forte reação, a publicação foi explicada pelo próprio Trump como um mal-entendido: “Pensava que era eu como médico, algo relacionado com a Cruz Vermelha”, justificou, num episódio que a imprensa internacional classificou como uma incursão no território do blasfémia.

A defesa da administração veio do vice-presidente J.D. Vance, católico convertido, que em declarações à Fox News pediu ao Vaticano que “se atenha às questões morais” e deixe a definição das políticas públicas norte-americanas ao presidente. Esta posição, ao mesmo tempo que solidariza o governo na ofensiva contra o primeiro papa nascido nos Estados Unidos, provocou fissuras na própria base de Trump: vozes conservadoras e aliados do movimento MAGA insurgiram-se contra o que consideram um desrespeito pela autoridade moral da Igreja. A crise surge num momento em que a administração já enfrenta contestação pela guerra no Irão, e o ataque direto a Leão XIV aprofunda a divisão entre nacionalismo cristão e o magistério universal do pontífice.

Na Europa, a imprensa suíça e italiana sublinha a gravidade de um chefe de Estado atacar abertamente um papa que tem sido uma voz crítica dos bombardeamentos conjuntos dos EUA e de Israel contra o Irão. Na Ásia, a atenção recaiu sobre a imagem apagada, com a alegação do presidente a ser recebida com incredulidade. Em países de maioria católica, como o Brasil, Portugal e várias nações africanas lusófonas, a controvérsia ecoa com particular intensidade, não só pela devoção popular ao sucessor de Pedro, mas também porque o apelo do Papa Leão XIV a uma solução negociada para a crise iraniana encontra forte ressonância em sociedades historicamente empenhadas na mediação de conflitos.

O episódio expõe uma colisão sem precedentes entre a Casa Branca e um Vaticano liderado por um compatriota de Trump. Para a comunidade católica norte-americana — e, por extensão, para a opinião pública global — o desafio consiste em digerir um presidente que instrumentaliza a iconografia religiosa ao mesmo tempo que desautoriza a hierarquia da Igreja. A análise geopolítica sugere que a rutura pode isolar ainda mais Washington, ao alienar segmentos eleitorais católicos e reforçar a imagem de um líder que despreza as fronteiras entre o sagrado e o insulto político. Resta saber se o Vaticano responderá com contenção diplomática ou se, perante a escalada retórica, optará por uma condenação mais veemente.

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