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Trump apaga imagem de IA que o assemelhava a Cristo, ataca Papa e encena entrega de McDonalds

Após deletar ilustração gerada por inteligência artificial que o retratava como Jesus, o presidente dos EUA insultou o Papa Leão XIV e promoveu isenção de gorjetas ao receber uma encomenda de fast-food na Casa Branca, em plena tensão com o Irão.

Geopolítica11 veículos4 idiomas3 min de leituraAtualizado 09:54

A crise eclodiu no domingo, quando Donald Trump publicou na sua rede Truth Social uma imagem gerada por inteligência artificial que o mostrava ajoelhado, banhado por uma luz etérea, impondo as mãos sobre um doente enquanto aviões de guerra cruzavam o céu. A representação foi imediatamente interpretada como uma tentativa de se equiparar a Jesus Cristo, provocando indignação mesmo entre a sua base evangélica e católica. A ativista conservadora Riley Gaines, ex-nadadora da NCAA, classificou o gesto como uma zombaria divina: “Deus não se deixa escarnecer”. Pressionado, Trump apagou a publicação e argumentou que a figura era apenas a de um médico a curar pessoas — “e eu curo muita gente”, justificou, numa alusão à Cruz Vermelha que não convenceu os críticos.

A fúria presidencial voltou-se então contra o Papa Leão XIV. Na mesma madrugada, Trump insultou o pontífice, acusando-o de ser “FRACO com o crime” e “uma catástrofe em política externa”. O Vaticano respondeu com serenidade: “Falo do Evangelho, continuarei a erguer a voz contra a guerra”, reiterou o Papa, numa referência velada à ofensiva militar dos EUA no Irão. A imprensa europeia interpretou o choque como o momento em que Leão XIV se converteu, quase sem querer, no anti-Trump que muitos esperavam desde a sua eleição, há um ano. Para a direita católica, o dilema tornou-se existencial — e o silêncio de líderes ultraconservadores revela o desconforto de quem já não sabe de que lado está.

Menos de 24 horas depois, a Casa Branca transformou-se num palco surreal. Trump recebeu pessoalmente duas malas de McDonalds entregues por Sharon Simmons, uma avó de dez netos que trabalha para a DoorDash e vestia uma t-shirt com a inscrição “DoorDash Grandma”. Diante das câmaras, o presidente deu-lhe cem dólares de gorjeta e usou a encenação para promover a sua proposta de isenção fiscal sobre gorjetas, enquanto respondia a perguntas sobre a guerra no Irão e o bloqueio do Estreito de Ormuz. O episódio, que a comentadora britânica Holly Baxter descreveu como “provavelmente o momento mais bizarro até agora”, fundiu populismo digital, marketing político e política externa numa coreografia que deixou observadores internacionais perplexos.

Para além do escândalo imediato, o episódio revela riscos de longo prazo. Em Lisboa, a sucessão de gestos foi interpretada como um choque direto com a sensibilidade católica europeia, enquanto em Brasília analistas recordaram que a instrumentalização da fé para fins eleitorais não é estranha ao continente americano, mas atinge um limite quando a blasfémia se torna ostentação. Nos países africanos de língua portuguesa, onde a Igreja Católica mantém forte influência social, a atitude de Trump pode acelerar o distanciamento já latente em relação a um líder que muitos veem como símbolo de um Ocidente em decadência moral. A crise, afinal, não é apenas sobre uma imagem apagada; é sobre a erosão da fronteira entre o sagrado e o profano numa presidência que insiste em confundir palco e altar.

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