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Trump ameaça despedir Powell e perde senador-chave em guerra pela Reserva Federal

Trump ameaça demitir Powell se não sair em maio, enquanto senador republicano renuncia e complica confirmação do sucessor; investigação criminal sobre obras da Fed ganha contornos de intimidação.

Legislação17 veículos4 idiomas3 min de leituraAtualizado 08:55

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, escalou de forma dramática o seu confronto com a Reserva Federal ao ameaçar despedir o seu presidente, Jerome Powell, caso este não abandone o cargo até 15 de maio. Horas antes, o senador republicano Thom Tillis — figura central na comissão que supervisiona as nomeações para a Fed — renunciou ao seu assento, um gesto que o próprio Trump interpretou como o fim do obstáculo. “É por isso que Thom Tillis já não é senador”, disse o presidente à Fox Business, admitindo que a luta pela confirmação do seu escolhido, Kevin Warsh, pode agora estar condenada.

Powell, cujo mandato como presidente termina dentro de semanas mas mantém assento no conselho de governadores até 2028, jurou não se afastar enquanto durar uma investigação criminal em curso sobre derrapagens nas obras da sede da Fed. O inquérito, liderado pelo gabinete da procuradora Jeanine Pirro, ganhou novo fôlego quando dois procuradores e um investigador tentaram aceder às obras sem aviso prévio e foram barrados, um movimento qualificado por fontes como altamente atípico. Para o ainda líder do banco central, a investigação é uma manobra de intimidação destinada a forçá-lo a demitir-se ou a aceitar cortes mais agressivos das taxas de juro.

A saída de Tillis, por demissão ou força das circunstâncias, altera subitamente o tabuleiro político. Até agora, o senador era o principal bloqueio à nomeação de Kevin Warsh, um antigo governador da Fed cuja enorme fortuna foi revelada durante o processo de escrutínio. Observadores em Washington notam que a renúncia, longe de destravar a sucessão, expõe as profundas divisões no campo republicano sobre a independência da autoridade monetária e transforma o Senado num terreno ainda mais incerto para a aprovação de um novo presidente da Fed.

A ofensiva de Trump contra a Reserva Federal está a suscitar alarme internacional. A antiga presidente da Fed, Janet Yellen, classificou a pressão como a retórica de uma “república das bananas”, sublinhando a demissão de credibilidade que a maior economia do mundo inflige a si própria ao tratar a sua moeda de reserva global como instrumento político. Em Lisboa e Luanda, analistas veem na crise americana um sinal de alerta sobre a erosão das salvaguardas institucionais e os riscos de contágio para bancos centrais de economias emergentes que lutam pela sua autonomia monetária.

O braço de ferro coloca em rota de colisão o poder presidencial e os limites constitucionais. Juristas duvidam que Trump tenha autoridade para demitir o presidente da Fed por divergências sobre a política de juros, o que pode precipitar um litígio no Supremo Tribunal. A curto prazo, o impasse ameaça desestabilizar mercados globais ancorados na perceção de um banco central americano independente. No horizonte, a batalha definirá não apenas o comando da Fed, mas o próprio equilíbrio entre política e moeda na principal economia do planeta.

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