Trump admite 'muito perto' de acordo com Irão mas mantém ameaça de destruição total
Presidente dos EUA diz que decisão pode sair no domingo; mediadores falam em memorando de 14 pontos e eventual prolongamento da trégua por 60 dias, com reabertura do estreito de Ormuz e alívio de sanções, mas divergências nucleares persistem.

Donald Trump afirmou este sábado que os Estados Unidos e o Irão estão “cada vez mais perto” de um acordo para encerrar a guerra no Médio Oriente, mas voltou a ameaçar com uma retaliação “nunca antes vista” se as negociações fracassarem. Em entrevista à CBS [A1], o presidente americano revelou ter lido a última minuta do entendimento e estimou em “50/50” as hipóteses de sucesso, acrescentando que uma decisão poderá ser tomada já no domingo [A5][A8]. O secretário de Estado, Marco Rubio, confirmou “alguns progressos” e admitiu que poderá haver novidades “ainda hoje ou nos próximos dias” [A2].
As conversações, mediadas pelo Paquistão, centraram-se num memorando de entendimento de 14 pontos proposto por Teerão [A3]. Segundo fontes paquistanesas, o documento está “na fase final” [A16] e prevê um prolongamento da atual trégua por mais 60 dias, a reabertura progressiva do estreito de Ormuz, o descongelamento de ativos iranianos no estrangeiro e um alívio faseado das sanções americanas [A14][A19][A25]. O chefe do exército paquistanês, Asim Munir, reuniu-se com a liderança iraniana antes de abandonar Teerão, classificando os avanços como “encorajadores” [A24][A45]. A expectativa dos mediadores é que, uma vez assinado o memorando, as discussões sobre o programa nuclear iraniano sejam retomadas após o Eid [A48].
A questão nuclear permanece, contudo, o principal pomo de discórdia. Enquanto Washington insiste em que o acordo final deve impedir o Irão de obter uma arma atómica e assegurar uma “gestão satisfatória” do urânio enriquecido [A1][A29], Teerão excluiu expressamente o tema do memorando inicial, alegando que “nesta fase não discutiremos detalhes da questão atómica” [A65][A20]. O porta-voz da diplomacia iraniana, Esmaeil Baghaei, reconheceu que existem “convergências”, mas que “isso não significa que chegaremos a acordo sobre todas as questões importantes” [A22][A23]. Na perspetiva de observadores europeus, a dissociação entre o fim das hostilidades e o desarmamento nuclear alimenta dúvidas sobre a solidez de uma trégua [A34][A44].
A pressão sobre Trump para aceitar o entendimento não vem apenas de Teerão. Líderes árabes e regionais, incluindo os da Arábia Saudita, Emirados, Catar e Egito, incentivaram o presidente americano a encerrar o conflito durante uma chamada coletiva na noite de sábado [A9][A10][A40]. Em Brasília, fontes diplomáticas acompanham com cautela o desfecho, temendo que uma escalada afete os preços do petróleo e as já frágeis cadeias de abastecimento mundiais. Em Lisboa, analistas do Médio Oriente sublinham que a verdadeira prova de fogo será a fase pós-memorando, quando os EUA exigirem o desmantelamento da infraestrutura nuclear iraniana. Até lá, a região equilibra-se entre a perspetiva de uma paz frágil e o risco de uma nova e devastadora campanha militar.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
Iran highlights progress in negotiations and the finalization of a memorandum of understanding, crediting its own diplomacy. It emphasizes demands for an end to US naval aggression and the unfreezing of assets, while downplaying remaining differences as mere matters of tone. The regime portrays itself as a victim of US-Israeli aggression and the architect of a dignified solution.
Atlantic press reports with measured but optimistic tones on progress toward a deal, citing official sources and technical details such as the reopening of the Strait of Hormuz and asset unfreezing. It emphasizes the proximity of an agreement but also the uncertainty and Trump's threat to resume bombing. The focus is on negotiation dynamics and economic-strategic implications.
Arab press reports with skepticism on progress news, emphasizing Trump's threats and the fragility of the ceasefire. It highlights Iranian statements excluding nuclear issues from the immediate deal, suggesting deep remaining divisions. The tone is alarmed at the possibility of resumed bombing, seen as imminent.
Israeli press focuses on the existential Iranian threat and the need to prevent Tehran from obtaining nuclear weapons. It reports with concern the impending deal, stressing that it does not address the nuclear issue and that Trump might concede. The tone is alarmed and critical of the US administration, seen as too accommodating.
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