Tiroteio em Teotihuacán mata turista canadense e fere 13 às vésperas do Mundial
Um homem armado abriu fogo do alto da Pirâmide da Lua, matou uma canadiana e suicidou-se. Entre os feridos há cidadãos dos EUA, Colômbia, Brasil e Rússia. O sítio arqueológico foi encerrado.

A tarde de segunda-feira, 20 de abril, transformou uma das mais célebres zonas arqueológicas do México num cenário de pânico. Um atirador mexicano, identificado como Julio César Jasso Ramírez, abriu fogo sobre turistas a partir da Pirâmide da Lua, no complexo de Teotihuacán, matando uma jovem canadiana e provocando treze feridos de pelo menos seis nacionalidades – entre os quais cidadãos dos EUA, da Colômbia, do Brasil e da Rússia. Seis pessoas foram atingidas por disparos e outras sete sofreram quedas ou lesões na debandada que se seguiu, num ataque que ocorre a menos de dois meses da Copa do Mundo de 2026, coorganizada pelo México, Estados Unidos e Canadá. O agressor, que vestia uma camisola com a frase “Desconéctate y autodestrúyete”, retirada de uma canção do grupo A Perfect Circle e partilhada no 25.º aniversário do massacre de Columbine, suicidou-se no local após a chegada da Guarda Nacional.
As autoridades mexicanas reagiram sob forte escrutínio. A Procuradoria-Geral da República atraiu a investigação e o Instituto Nacional de Antropologia e História determinou o encerramento temporário da zona arqueológica. Em paralelo, a oposição política, pela voz do senador Alejandro Moreno, questionou a ausência de arcos de segurança num espaço tão concorrido, exigindo explicações sobre como a arma de fogo pôde ser introduzida sem deteção. A Cruz Roja ativou uma linha de contacto para familiares e apoio psicossocial, enquanto a ministra dos Negócios Estrangeiros do Canadá classificou o ato como “um horrível ato de violência armada”.
Observadores em Brasília e em Lisboa sublinham a sobreposição de camadas vulneráveis. A presença de um cidadão russo entre os feridos, noticiada de imediato pela agência Interfax, sublinha a projeção global do sítio. Na imprensa europeia – do Le Figaro à Frankfurter Allgemeine Zeitung – o incidente é lido como um sinal de alarme para a segurança durante o próximo Mundial, que deverá atrair milhões de visitantes a um México já confrontado com elevados índices de violência. Ao mesmo tempo, a referência velada a Columbine, apontada por fontes policiais citadas pelo Los Angeles Times, introduz uma dimensão de copycat que extravasa a simples criminalidade comum.
O desfecho imediato é o isolamento do património enquanto decorrem as perícias, mas as feridas políticas e diplomáticas podem prolongar-se. O governo mexicano tenta conter os danos com mensagens de pesar da presidente Claudia Sheinbaum e coordenação consular, ao passo que a oposição insiste na falha dos protocolos de acesso. Para os países lusófonos, que não registam vítimas diretas, o episódio serve de advertência sobre os riscos de grandes eventos em destinos turísticos massificados, enquanto a FIFA observa, a menos de sessenta dias do pontapé de saída, como o México garante a integridade de quem o visita.
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