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Starmer sob pressão: escândalo de verificação de segurança abala governo britânico

Revelações de que Peter Mandelson foi nomeado embaixador nos EUA apesar de reprovação nos controlos de segurança levaram à demissão do alto funcionário do Foreign Office e a apelos de demissão do primeiro-ministro.

Legislação15 veículos6 idiomas3 min de leituraAtualizado 08:57

A demissão de Sir Olly Robbins, o mais alto funcionário do Ministério dos Negócios Estrangeiros britânico, na quinta-feira à noite, precipitou uma crise política que ameaça a sobrevivência do governo de Keir Starmer. Robbins foi afastado depois de se saber que o seu departamento ignorou, em janeiro de 2025, um parecer negativo dos serviços de segurança e autorizou a nomeação de Peter Mandelson como embaixador em Washington, sem informar o primeiro-ministro. A fúria de Starmer, que classificou a falha como “imperdoável”, contrasta com a revelação do jornal The Independent de que Downing Street foi alertada, em setembro do ano passado, de que Mandelson não tinha obtido a necessária credenciação de segurança, facto que o governo negou na altura.

O caso remonta às ligações de Mandelson, antigo ministro e figura histórica do New Labour, com o falecido predador sexual Jeffrey Epstein. Já em setembro de 2024, Mandelson fora afastado do cargo e interrogado pela polícia devido a suspeitas de ter partilhado documentos governamentais com Epstein durante a crise financeira global. O processo de verificação aprofundada, que custa mais de 80 mil libras por pessoa e examina minuciosamente a vida pessoal e financeira do candidato, detetou vulnerabilidades que desaconselhavam a nomeação. Ainda assim, o Foreign Office sobrepôs-se aos serviços de segurança, uma decisão que a imprensa europeia, do El País ao Frankfurter Allgemeine Zeitung, descreve como uma violação grave dos protocolos de segurança nacional.

Na perspetiva de Brasília, o episódio ecoa os riscos de nomeações políticas para postos diplomáticos sensíveis, sobretudo quando estão em causa ligações comprometedoras a redes criminosas internacionais como a de Epstein. Observadores em Lisboa sublinham que, em Portugal, o escrutínio parlamentar e a separação entre decisão política e parecer técnico tenderiam a travar uma situação semelhante, embora a politização das embaixadas não seja estranha ao espaço lusófono.

A oposição britânica uniu-se na exigência de demissão de Starmer. A líder conservadora Kemi Badenoch acusou o primeiro-ministro de ter enganado o Parlamento, violado o código ministerial e retido documentos. O líder liberal-democrata, Ed Davey, afirmou que Starmer deve demitir-se se tiver “mentido ao Parlamento e ao público britânico”. Starmer, que prometeu apresentar “os factos relevantes” aos deputados na próxima segunda-feira, vê a sua autoridade minada pela suspeita de que teria ignorado avisos anteriores para proteger um aliado político.

À medida que a Comissão de Inquérito policial sobre a conduta de Mandelson prossegue, analistas europeus notam que o escândalo reabre a ferida do tráfico de influências e da proximidade de figuras do poder a Epstein. O desfecho da crise definirá não só o futuro de Starmer, mas também a credibilidade do Reino Unido na gestão dos seus mais altos cargos diplomáticos, num momento em que a relação transatlântica exige total confiança mútua.

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