Serena Williams regressa ao ténis após quase quatro anos, enquanto Raducanu brilha na relva
A norte-americana de 44 anos volta à competição em Londres, no Queen’s Club, num torneio que também marca o renascer de Emma Raducanu na relva.

O regresso de Serena Williams ao circuito profissional, anunciado para o torneio de pares do Queen’s Club, constitui o acontecimento mais simbólico da temporada de relva. Quase quatro anos depois do seu último encontro oficial, nos Jogos Olímpicos de 2021, a detentora de 23 títulos do Grand Slam vai alinhar ao lado da jovem canadiana Victoria Mboko, num convite da organização. Na imprensa italiana, questionam-se as motivações de uma atleta que amealhou mais de 350 milhões de dólares e que, aos 44 anos, regressa depois de ter perdido cerca de 15 quilos com ajuda de fármacos comercializados pela empresa do marido, Alexis Ohanian — um aspeto que levanta suspeitas de conflito de interesses. Para além disso, a sua tenacidade física e a eventual candidatura a um wild card para Wimbledon são incógnitas que rodeiam este recomeço.
Contudo, observadores em Londres notam que a presença de Serena transcende as questões desportivas. A sua carreira esteve sempre ligada à promoção da diversidade, à luta contra os preconceitos raciais e de género e à afirmação de uma imagem corporal poderosa, quebrando estereótipos. No Brasil, onde o ténis ganha cada vez mais visibilidade com atletas como Bia Haddad, o regresso da “Queen” é recebido como um reforço do alcance mediático da modalidade e um estímulo para a nova geração. A própria Serena justificou o desejo de que as duas filhas a vejam competir, um argumento que ecoa junto do público lusófono que acompanha as suas batalhas desde o início do século.
No mesmo palco londrino, Emma Raducanu deu um sinal de claro renascimento. A número um britânica, que vinha de uma eliminação precoce em Roland Garros e de um período de convalescença pós-viral, dominou a qualifier russa Anna Blinkova por 6-0 e 6-3. Em declarações recolhidas pela imprensa britânica, Raducanu afirmou ter jogado com “clareza” e “liberdade”, reencontrando a sua forma natural após voltar a trabalhar com o treinador Andrew Richardson, aquele que a guiou ao título do US Open em 2021. A exibição agressiva na relva, somada à confiança recuperada, transforma a britânica numa adversária a ter em conta nas próximas semanas, nomeadamente para Wimbledon.
A imprensa mexicana, por sua vez, destaca o anúncio de que Roger Federer regressará ao US Open em agosto para um encontro de exibição que contará ainda com Andy Roddick, John McEnroe e Andre Agassi, dias antes da sua entrada no Hall da Fama. O suíço, recordista de cinco títulos consecutivos em Nova Iorque, não disputa um encontro oficial desde 2021, mas a sua presença, tal como a de Serena, sublinha o magnetismo que as lendas do ténis continuam a exercer sobre o público e os patrocinadores. O circuito feminino, em particular, parece ávido de referências consolidadas, e o duplo regresso de Serena e Raducanu, cada uma a seu modo, promete dar à época de relva um impulso mediático que nem os melhores torneios de preparação conseguem gerar sozinhos.
Em síntese, enquanto o Queen’s Club se transforma num palco de reencontros e afirmações, a temporada de relva antevê-se rica em narrativas. Se a solidez física de Serena levanta dúvidas, o seu estatuto de ícone é inabalável; Raducanu procura finalmente corresponder às expectativas; e Federer encarna a elegância de um adeus que nunca é definitivo. Para o público lusófono, que acompanha estes nomes com particular devoção, os próximos meses podem oferecer tanto a nostalgia como a renovação.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
A imprensa italiana enquadra o regresso de Serena Williams como um misto de espetáculo comercial, marketing pessoal e busca de um último brilho, levantando dúvidas sobre conflitos de interesse e condição física. Celebra o seu estatuto icónico mas insinua um ceticismo quanto aos verdadeiros motivos do retorno.
A imprensa africana anglófona relata o regresso de forma sucinta e factual: convite, parceira de pares, adversárias cabeças de série, aquecimento para Wimbledon. Sem comentários, apenas o evento imediato.
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