Relatório da ONU denuncia envolvimento de Israel em ataques de colonos e crimes de guerra do Hamas
Comissão de Inquérito conclui que palestinianos estão encurralados entre forças israelitas, colonos e o Hamas, enquanto a violência nos territórios ocupados dispara 130%.

Uma investigação do Conselho de Direitos Humanos da ONU revelou que as autoridades israelitas estão diretamente implicadas nos ataques de colonos que mataram, feriram e deslocaram palestinianos na Cisjordânia ocupada, oferecendo proteção ativa das forças de segurança. O relatório, divulgado esta terça-feira em Genebra, conclui que o apoio financeiro e militar de Israel permitiu um aumento de 130% na violência dos colonos desde 2023, num clima de impunidade fomentado pelo sistema judicial e policial. Paralelamente, a comissão considerou que o Hamas cometeu crimes de guerra contra palestinianos e israelitas, descrevendo uma realidade em que a população civil está “sistemática e deliberadamente” submetida a graves violações dos direitos humanos, “encurralada entre as forças israelitas e os colonos, de um lado, e o regime de terror do Hamas, do outro”.
A cobertura noticiosa expõe divergências de ênfase consoante a geografia editorial. Na imprensa israelita, o destaque recai sobre a dupla condenação — o Estado judeu por cumplicidade com colonos e o movimento islamita por crimes de guerra —, enquanto órgãos asiáticos e latino-americanos acentuam a violência dos colonos e o cerco humanitário. Em Brasília, o Valor Econômico salienta o clima de impunidade e o aumento dos incidentes, e o South China Morning Post recorda que a mesma comissão concluíra, no ano anterior, que Israel cometera “genocídio” em Gaza. Estas escolhas editoriais refletem leituras políticas distintas sobre a crise.
O documento será apresentado em breve ao Conselho de Direitos Humanos, onde Portugal ocupa um assento e o Brasil participa como observador. Para as diplomacias lusófonas, o relatório intensifica a pressão por uma posição comum, mas o cenário é de polarização: os países ocidentais deverão condenar sobretudo os crimes do Hamas, enquanto o Sul Global insistirá na responsabilidade israelita pela ocupação e pela violência dos colonos. A comissão sublinha que os civis palestinianos continuam a ser “violentamente reprimidos e controlados pela própria fação que afirma governá-los”, agravando um ciclo de sofrimento sem perspetiva de solução.
Apesar da gravidade das conclusões, analistas em Lisboa alertam que a eficácia do relatório depende da vontade política dos Estados-membros em transformar as denúncias em mecanismos de responsabilização. Sem esse passo, o documento arrisca engrossar o arquivo de investigações sem consequências práticas, enquanto as comunidades palestinianas permanecem presas entre ataques de colonos, operações militares e a repressão interna do Hamas.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
A ONU acusa Israel de facilitar a violência dos colonos, mas o relatório também confirma que o Hamas cometeu crimes de guerra. Autoridades israelenses criticam o viés do inquérito, que ignora a luta contra o terrorismo.
O inquérito da ONU confirma que as forças israelenses protegem colonos durante ataques contra palestinos. As autoridades israelenses estão diretamente envolvidas num sistema de violência e impunidade, causando centenas de mortos e deslocados.
O relatório da ONU expõe a realidade brutal dos palestinos, presos entre as atrocidades em massa das forças israelenses, os colonos e o regime brutal do Hamas. A comissão documenta violações sistemáticas e deliberadas dos direitos civis em Gaza e na Cisjordânia.
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