Arábia Saudita e Turquia assinam acordos para reativar o histórico Caminho de Ferro do Hejaz
Memorandos preveem corredor terrestre do Golfo à Europa; em Dammam, consórcio luso-espanhol-egípcio vence contrato ferroviário de 22,7 km

Riad e Ancara deram um passo decisivo para reconfigurar a geografia logística do Médio Oriente. Na terça-feira, os ministros dos Transportes da Arábia Saudita e da Turquia assinaram dois memorandos de entendimento — um sobre cooperação ferroviária e outro sobre serviços logísticos — que lançam as bases para um corredor terrestre entre o Golfo Pérsico e a Europa, passando pelo Iraque, Jordânia e, possivelmente, a Síria. O projeto mais emblemático é a reativação do histórico Caminho de Ferro do Hejaz, construído no início do século XX, que ligava Damasco a Medina e é hoje visto como um eixo estratégico de integração regional. O ministro turco dos Transportes, Abdulkadir Uraloglu, revelou que duas rotas experimentais a partir da Turquia, através do Iraque com destino à Arábia Saudita, demonstraram a viabilidade do traçado. As conversas ganharam novo fôlego depois de anos de estagnação e, segundo Ancara, o objetivo é superar o volume anual de 20 mil passageiros registado antes de 2012, quando a região foi abalada por conflitos.
Enquanto a dimensão transnacional se desenha nos ministérios, a Saudi Arabia Railways (SAR) continua a expandir a malha interna. Um consórcio formado pela OHL Arabia, subsidiária da espanhola OHLA, e pela Hassan Allam Construction Saudi, do grupo egípcio Hassan Allam, foi selecionado para executar as obras de ligação ferroviária da 2.ª Cidade Industrial de Dammam, na Província Oriental. O contrato, de 22,7 quilómetros em via única, inclui fundações, terraplanagem, uma ponte de 265 metros sobre a autoestrada HW615 e outra de 118 metros sobre o corredor de gasodutos da Aramco, além de sinalização, telecomunicações e serviços de utilidades. O projeto, embora de escala local, insere-se na ambição mais vasta de modernizar a infraestrutura logística do reino, que pretende tornar-se um hub global de comércio.
Na perspetiva de Brasília, o movimento é acompanhado com interesse, pois o Brasil debate a retoma de grandes projetos ferroviários e vê no corredor do Hejaz um exemplo de como rotas históricas podem ser reabilitadas para escoar commodities. Em Lisboa, analistas recordam que o caminho-de-ferro original contou com financiamento de comunidades muçulmanas em territórios ultramarinos portugueses, e notam que a sua reativação pode abrir espaço para construtoras lusas, como a Mota-Engil, já ativa na região. Para a África lusófona, o paralelo é o Corredor do Lobito — a reabilitação de linhas coloniais está a redefinir as cadeias de abastecimento no Sul Global.
No plano geopolítico, o sucesso do projeto dependerá da estabilização da Síria e do Iraque, mas a convergência de interesses entre Riade e Ancara é sólida. A parceria insere-se na Visão 2030 saudita e na estratégia turca de se posicionar como ponte euro-asiática. Para os países lusófonos, a mensagem é clara: a competição por corredores logísticos intercontinentais está a acelerar, e a capacidade de participação em consórcios como o de Dammam — que junta empresas espanholas, egípcias e sauditas — deve ser cultivada ativamente.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
A assinatura de dois memorandos de entendimento entre a Turquia e a Arábia Saudita é enquadrada como uma peça fundamental do movimento regional para reavivar o histórico Caminho de Ferro do Hejaz, redesenhando os mapas de transporte entre a Ásia e a Europa. Os acordos são encarados como um projeto estrutural transfronteiriço que transcende interesses locais, promovendo uma verdadeira integração regional no comércio e na mobilidade. A ênfase recai na cooperação em tecnologia ferroviária, centros logísticos e digitalização, de modo a garantir fluxos comerciais ininterruptos perante as turbulências regionais.
A Arábia Saudita e a Turquia firmaram dois importantes memorandos de entendimento sobre ferrovias e logística, aclamados como um passo histórico rumo a um futuro corredor terrestre que ligará diretamente o Golfo à Europa. Os acordos são apresentados como um avanço estratégico que desenvolverá competências técnicas, infraestrutura logística e conectividade contínua, alinhando-se perfeitamente com a ambição de Riade de se tornar um polo logístico global. Esta medida pragmática é celebrada por reforçar a diversificação económica do Reino e expandir os seus corredores comerciais.
Ao noticiar a assinatura dos memorandos ferroviários e logísticos entre a Turquia e a Arábia Saudita, as fontes iranianas adotam um tom cauteloso, sublinhando que o tráfego mútuo de passageiros continua muito aquém dos 20.000 anuais atingidos antes de 2012 devido às convulsões regionais. As autoridades declaram o objetivo de ultrapassar esse valor, mas salienta-se que Teerão acompanha de perto a evolução no eixo Síria-Jordânia-Iraque, sugerindo que o novo corredor poderá contornar o território iraniano. A cobertura conjuga uma observação pragmática com um subtom de ceticismo face à reconfiguração da conectividade regional.
A Turquia e a Arábia Saudita estão a avançar com os planos para ressuscitar o centenário Caminho de Ferro do Hejaz, assinando memorandos sobre conectividade ferroviária e logística. A iniciativa é enquadrada como um impulso liderado por Ancara para reativar um corredor histórico que outrora ligava o Golfo à Europa através da Síria e da Jordânia, agora visto como um projeto com considerável peso geopolítico. Observadores notam que a modernização desta rota poderá redefinir os fluxos comerciais regionais e acrescentar uma camada sensível ao já instável cenário sírio.
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