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Quinta ofensiva dos EUA no Pacífico numa semana mata três e eleva total a 177 vítimas

Os Estados Unidos realizaram a quinta ofensiva aérea em embarcações suspeitas de narcotráfico no Pacífico Oriental em apenas uma semana, matando mais três pessoas e elevando para pelo menos 177 o total de vítimas mortais desde setembro.

Geopolítica10 veículos4 idiomas3 min de leituraAtualizado 08:53

Na quarta-feira, 15 de abril, o Comando Sul das Forças Armadas dos EUA (SOUTHCOM) anunciou o quinto «ataque cinético letal» contra uma embarcação no Pacífico Oriental, matando três supostos «narcoterroristas». A operação encerrou uma semana de violência escalada no mar: no sábado, duas embarcações foram atingidas, causando cinco mortos e um ferido; na segunda-feira, outro ataque matou duas pessoas; na terça, uma quarta ofensiva vitimou quatro. As embarcações visadas, segundo Washington, pertenciam a «organizações terroristas designadas» e transitavam em rotas conhecidas de tráfico, embora nenhuma prova tenha sido apresentada publicamente. O saldo da mais recente investida elevou para 177 o número de mortos desde o início da campanha, há mais de sete meses, de acordo com um balanço da AFP; pelo menos 53 barcos foram destruídos e 15 pessoas sobreviveram às operações, duas das quais ficaram sob custódia da Marinha norte-americana.

A intensificação dos ataques ocorre sob a administração Trump, que justifica as ações como um «conflito armado» para travar o fluxo de drogas e reduzir as overdoses fatais no país. Apesar do discurso de segurança, a ausência de processos judiciais e o elevado número de vítimas têm suscitado críticas de organizações de direitos humanos e de especialistas em direito marítimo, que alertam para a violação do princípio do devido processo legal e para o risco de execuções extrajudiciais em águas internacionais.

Na perspetiva de Brasília, a campanha militar no Pacífico Oriental acende alertas sobre a soberania marítima numa região onde o Brasil tem reforçado a sua própria capacidade de patrulha contra o narcotráfico transatlântico, em cooperação com parceiros europeus e africanos. Observadores em Lisboa notam que Portugal, porta de entrada de cocaína na Europa, acompanha com atenção a operação, temendo que a pressão no Pacífico desvie rotas para o Atlântico, com impacto direto na segurança da costa portuguesa e na já frágil estabilidade de países lusófonos como a Guiné-Bissau e Cabo Verde. Em África, o receio é semelhante: o reforço da interdição naval norte-americana no Pacífico pode empurrar os cartéis de volta para a chamada rota do Golfo da Guiné, aumentando a pressão sobre Estados com instituições débeis e ampliando a instabilidade regional.

A continuidade da campanha, que já mobilizou a Força-Tarefa Conjunta Southern Spear em mais de meia centena de ataques, sugere que Washington não recuará, mesmo com o desgaste diplomático junto de países latino-americanos que consideram as investidas unilaterais uma violação da sua jurisdição. A ausência de mandato internacional e a opacidade dos critérios de inteligência levantam dúvidas sobre a legalidade das operações, ao mesmo tempo que o custo humano se avoluma, com 177 vidas perdidas no mar e um número desconhecido de desaparecidos, como o tripulante que a Guarda Costeira deixou de procurar após o ataque de sábado.

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