Entrar
Edição das 10:00 CETsexta-feira, 12 de junho de 2026
287 veículos · 16 idiomas0 briefing hoje
terça-feira, 9 de junho de 2026 · Edição das 06:00 CET

Irão condena à morte primeira mulher entre manifestantes, enquanto vozes no exílio acusam feminismo ocidental de omissão

Bita Hemmati e o marido integram lista de quatro condenações capitais pelos protestos de janeiro. Ativista iraniano-americana critica celebridades por ignorarem a repressão no país.

Geopolítica4 veículos2 idiomas2 min de leituraAtualizado 08:53

O regime iraniano prepara-se para executar a primeira mulher detida durante os protestos de janeiro de 2026, elevando para oito as sentenças de morte já cumpridas no âmbito da vaga de contestação que abalou o país. Bita Hemmati foi condenada pelo Tribunal Revolucionário de Teerão, presidido pelo juiz Imam Afshari, conhecido pela dureza em julgamentos políticos. Juntamente com o marido, Mohammadreza Majid-Asl, de 34 anos, e dois vizinhos, Behrouz e Kourosh Zamaninejad, recebeu a pena capital, enquanto um familiar, Amir Hemmati, foi sentenciado a cinco anos de prisão, segundo organizações de direitos humanos.

A decisão desencadeou a fúria da médica e ativista iraniano-americana Sheila Nazarian, que acusou a atriz Elizabeth Banks e outras figuras públicas de hipocrisia. “Diz-se feminista, diz-se humanitária. Onde está quando as mulheres precisam de si? É uma falsa, uma hipócrita”, afirmou, em reação às declarações de Banks sobre a incompreensão face às eleitoras brancas que apoiaram Donald Trump. Nazarian sublinhou que, enquanto o Ocidente debate divisões políticas, mulheres iranianas enfrentam a forca por exigirem direitos básicos.

As organizações internacionais de defesa dos direitos humanos alertam que a República Islâmica usa a pena de morte como instrumento de intimidação social e temem um endurecimento da repressão num contexto de guerra contra Israel e os Estados Unidos. Desde o início da repressão, milhares de manifestantes foram mortos e dezenas de milhares detidos, numa vaga de contestação que o regime procura sufocar com execuções exemplares.

A repressão não se limita ao Irão. No Cazaquistão, 19 manifestantes foram condenados a cinco anos de prisão por protestarem pacificamente contra abusos chineses em Xinjiang, incluindo a detenção do cidadão cazaque Alimnur Turganbay. Os participantes queimaram bandeiras e retratos de Xi Jinping, gestos qualificados pelas autoridades cazaques como “incitamento à discórdia interétnica”. O veredito, analistas em Brasília notam, ilustra a crescente influência de Pequim na Ásia Central e a partilha de métodos de silenciamento das dissidências.

Observadores em Lisboa apontam para a crescente fragmentação da resposta internacional: o foco seletivo dos ativistas ocidentais enfraquece a pressão sobre regimes autoritários. Enquanto figuras mediáticas ignoram as execuções que se aproximam, o destino de Bita Hemmati torna-se símbolo de uma luta que corre o risco de ser esquecida, precisamente quando as alianças geopolíticas e os interesses energéticos desaconselham o isolamento de Teerão.

Esta notícia apareceu em

4 veículos · 2 idiomas · janela de 24 horas

Fox News
The Independent
CBS News
El Mundo