Polícia australiana investiga Katy Perry por alegada agressão sexual após denúncia de Ruby Rose
Atriz acusa cantora de a ter agredido num bar de Melbourne em 2010; Perry nega «mentiras perigosas» e Rose anuncia ter finalizado queixas, não podendo comentar o caso.

A Polícia do estado de Vitória, na Austrália, confirmou esta semana a abertura de uma investigação a uma «agressão sexual histórica» ocorrida num bar de Melbourne em 2010, na sequência de acusações públicas da atriz australiana Ruby Rose contra a estrela pop norte‑americana Katy Perry. Rose, de 40 anos, tornada conhecida pela série Orange Is the New Black, afirmou através da rede social Threads que Perry a agrediu no clube noturno Spice Market, no centro da cidade, após a cantora ter feito um comentário sobre a atuação de Justin Bieber no festival Coachella. «Katy Perry abusou sexualmente de mim. Que importa o que ela pensa?», escreveu Rose, numa série de publicações entretanto apagadas.
A acusação ganhou contornos mais detalhados em órgãos de comunicação russos: segundo o Meduza, e também citado pela Forbes Rússia, Rose descreveu que Perry se terá esfregado contra o seu rosto com os órgãos genitais sem o seu consentimento. A atriz explicou que, durante anos, relatou o episódio como «uma história engraçada de bebedeira», por não saber como lidar com ele, e que manteve segredo porque Perry a ajudou posteriormente a obter um visto para os Estados Unidos. A representante da cantora reagiu veementemente, classificando as alegações como «perigosas e irresponsáveis mentiras» e negando-as por completo.
Na imprensa australiana, como o Australian Broadcasting Corporation e o Sydney Morning Herald, o enfoque recaiu sobre a confirmação oficial da investigação pela equipa de delitos sexuais e abuso de menores de Melbourne. Rose atualizou os seus seguidores na terça‑feira à noite, anunciando ter finalizado todos os seus depoimentos e que, por recomendação policial, «já não posso comentar, republicar ou falar publicamente sobre nenhum destes casos nem sobre as pessoas envolvidas». A atriz sublinhou que o aparente silêncio não significará indiferença perante as mensagens de apoio. Do lado norte‑americano, a Fox News destacou a apresentação formal da queixa, enquanto canais árabes como a CNN Arabic e francófonos como a Radio‑Canadá sublinharam o início do inquérito e o desmentido da artista.
Observadores na Europa alemã, nomeadamente do Süddeutsche Zeitung e do Tages‑Anzeiger, relataram que a tempestade mediática se desencadeou depois de Perry ter ridicularizado ligeiramente a prestação de Justin Bieber no Coachella, o que desencadeou a resposta fulminante de Rose. O Tages‑Anzeiger e o Bild sublinham que as autoridades «consideram inapropriado fazer comentários adicionais enquanto a investigação estiver em curso». A agência noticiosa russa Meduza reforçou a ideia de que a denúncia ganhou força nas redes sociais e se transformou num caso policial concreto.
Para o público lusófono, o caso ecoa os debates suscitados por movimentos como o #MeToo, que no Brasil, em Portugal e nos países africanos de língua oficial portuguesa expuseram denúncias tardias de abuso sexual e o desafio de equilibrar a presunção de inocência com o acolhimento às vítimas. A investigação está ainda numa fase embrionária: a polícia não indicou se há testemunhas identificadas ou outras provas materiais. Se forem encontrados indícios suficientes, o caso poderá testar a eficácia da justiça australiana na punição de crimes sexuais históricos transfronteiriços, envolvendo uma figura global. Caso contrário, poderá arquivar‑se num conflito de versões sem consequências judiciais, mas com um custo reputacional difícil de calcular para ambas as partes.
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