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Maioria parlamentar de Mark Carney abre novo ciclo de estabilidade no Canadá

Vitórias em três eleições parciais e a adesão de deputados da oposição garantiram ao primeiro-ministro 174 lugares na Câmara dos Comuns, pondo fim a sete anos de governos minoritários.

Economia7 veículos2 idiomas3 min de leituraAtualizado 09:54

O Partido Liberal do Canadá, liderado pelo primeiro-ministro Mark Carney, conquistou finalmente uma maioria parlamentar na noite de segunda-feira, depois de vencer três eleições parciais e atrair para as suas fileiras cinco deputados transferidos da oposição. Com 174 dos 343 assentos da Câmara dos Comuns, Carney deixa de depender de acordos pontuais com outras forças partidárias – uma realidade que condicionou Ottawa desde 2019, quando Justin Trudeau perdeu a maioria e se viu obrigado a negociar com o NPD de Jagmeet Singh políticas como o programa nacional de cuidados dentários e a farmacare.

A noite eleitoral confirmou a vitória dos liberais em círculos tradicionalmente favoráveis de Toronto, como Scarborough-Sudoeste e University-Rosedale, onde a médica Danielle Martin obteve cerca de 65% dos votos. O assento de University-Rosedale pertencera a Chrystia Freeland, antiga vice-primeira-ministra que se demitiu para assumir funções de assessoria na Ucrânia. A estas conquistas juntou-se o impacto mediático da deserção da deputada conservadora Marilyn Gladu, que na semana passada passou a integrar a bancada governamental, e a vitória liberal no histórico círculo de Terrebonne, no Quebeque, que ainda ampliou a margem de manobra do executivo.

Na perspetiva de Brasília, o fim do ciclo de fragmentação parlamentar canadiano é observado com interesse num momento em que o Brasil também ensaia novas formas de governabilidade no Congresso. Já analistas em Lisboa sublinham que, à semelhança do que sucedeu em Portugal com governos minoritários do PS, a ausência de maioria absoluta durante sete anos obrigou Carney e Trudeau a uma diplomacia parlamentar contínua, cujo desfecho maioritário pode agora acelerar a aprovação de legislação económica e ambiental.

Carney governara até aqui como se tivesse maioria, evitando a tradicional troca de concessões que caracterizou o período anterior. Com o novo estatuto, dispõe de margem para executar um programa legislativo que considera indispensável perante uma ordem geopolítica cada vez mais fragmentada. Observadores da África lusófona notam que a estabilidade política em Otava pode traduzir-se em compromissos mais firmes de ajuda ao desenvolvimento e de financiamento climático, áreas em que o Canadá disputa influência com outros doadores da OCDE.

Resta saber como Carney usará esta maioria nos próximos meses. Os liberais deverão agora detalhar planos orçamentais e regulatórios que, até aqui, eram travados pela necessidade de acomodar o NPD. A governação sem entraves externos não é isenta de riscos: a responsabilidade pelo sucesso ou fracasso das políticas recairá inteiramente sobre o executivo, num contexto em que a economia canadiana enfrenta pressões inflacionistas e a necessidade de reindustrialização verde. O mandato estende-se até 2029, dando a Carney quatro anos para consolidar a sua visão de um Canadá mais autónomo na cena internacional.

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The Guardian
The New York Times
National Post
The Japan Times
The Independent
The Hindu
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