Israel bombardeia Tiro e desafia apelo de Trump, matando ao menos oito
Ataque atinge pela primeira vez o bairro cristão da cidade libanesa, horas após ordem inédita de evacuação total. Ação contraria trégua informal entre Israel e Irã e lança novas dúvidas sobre as negociações de paz lideradas por Washington.

Israel bombardeou nesta terça-feira a histórica cidade portuária de Tiro, no sul do Líbano, matando ao menos oito pessoas e ferindo mais de trinta, num ataque que desafiou abertamente o apelo do presidente norte-americano Donald Trump para que todos os lados cessassem imediatamente os disparos. Pela primeira vez desde que as hostilidades com o Hezbollah recrudesceram em 2 de março, os bombardeios atingiram o bairro cristão da cidade, até então poupado e para onde tinham fugido milhares de deslocados do sul do país. A ordem de evacuação emitida pelo Exército israelense, também inédita por abranger toda a área urbana, incluindo campos de refugiados, foi seguida por ataques que, segundo a imprensa estatal libanesa, ocorreram ainda antes de o alerta chegar a muitos moradores.
A escalada ocorre num momento de enorme fragilidade diplomática. No domingo e na segunda-feira, Irã e Israel tinham trocado fogo direto pela primeira vez desde a trégua precária de abril, mas suspenderam os ataques mútuos horas depois de Trump exigir o fim imediato dos confrontos. O ministro da Defesa israelita, Israel Katz, insistiu porém que a campanha contra o Hezbollah prosseguiria, enquanto Teerão advertiu que poderá voltar a retaliar se os ataques ao Líbano não cessarem. A posição israelita coloca em xeque a narrativa de Washington sobre um acordo de paz “na reta final” com o Irão, ao mesmo tempo que o Hezbollah reivindicou 16 ataques contra alvos israelitas, agravando uma crise humanitária que já deslocou mais de um milhão de pessoas.
O impacto sobre o património e as comunidades cristãs acrescenta uma dimensão simbólica à violência. Líderes religiosos de Tiro — incluindo o arcebispo greco-católico melquita George Iskandar e o metropolita ortodoxo Elias Kfoury — apelaram à comunidade internacional para que travasse os ataques ao bairro cristão, enquanto equipas da Defesa Civil libanesa retiravam idosos e vulneráveis da cidade. Além das vítimas humanas, um bombardeamento anterior danificara um sítio classificado pela UNESCO. Para leitores lusófonos, o drama ganha contornos particulares: o Brasil abriga a maior comunidade de origem libanesa fora do Líbano, e observadores em Brasília sublinham a apreensão entre famílias com parentes na região. Em Lisboa, a diplomacia portuguesa acompanha com preocupação a degradação da segurança num país com o qual mantém laços históricos, enquanto os países africanos de língua oficial portuguesa, atentos ao Conselho de Segurança, receiam os efeitos de mais uma guerra no preço dos cereais e na estabilidade do Mediterrâneo alargado.
O ato de desafio israelita expõe uma fratura crescente entre a Casa Branca e o governo de Benjamin Netanyahu. Trump, que pressionara publicamente pelo fim dos disparos, vê agora a sua mediação minada por um aliado que insiste em manter a iniciativa militar. A incerteza sobre a capacidade de Washington impor limites a Israel alimenta especulações sobre uma nova ronda de fogo cruzado com o Irão, num tabuleiro onde o sul do Líbano funciona como linha da frente de uma guerra mais ampla. Sem um mecanismo de verificação eficaz e com ordens de evacuação que se sucedem, a perspetiva de uma estabilização duradoura permanece tão distante quanto o eco dos bombardeios sobre o casario antigo de Tiro.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
Ataques aéreos israelenses em Tiro mataram pelo menos oito pessoas, desafiando o cessar-fogo e levando líderes cristãos a pedir intervenção internacional para poupar o bairro cristão.
O regime israelense matou oito civis em Tiro ao atingir uma área residencial popular depois de emitir ameaças de evacuação, dando continuidade à sua agressão contra o Líbano.
Aviões inimigos israelenses bombardearam o conjunto habitacional popular de Tiro, matando oito e ferindo 32, numa escalada perigosa após uma ordem de evacuação sem precedentes para toda a cidade, incluindo o bairro cristão.
Israel desafiou Trump ao bombardear Tiro e matar pelo menos oito, evidenciando os limites da influência americana e a fragilidade do cessar-fogo enquanto Washington tentava conter a escalada.
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