Influenciador polémico sofre overdose ao vivo em Miami e reacende alerta sobre ‘looksmaxxing’
Braden Peters, conhecido como Clavicular, foi hospitalizado após transmissão interrompida; movimento estético extremo preocupa especialistas e ecoa entre jovens no Brasil e em Portugal.

O jovem criador de conteúdos Braden Peters, de 20 anos, figura central do controverso movimento “looksmaxxing”, sofreu uma suspeita de overdose na terça-feira enquanto transmitia em direto a partir de um clube noturno de Miami. A emissão na plataforma Kick foi abruptamente interrompida depois de os espectadores o verem a cambalear, a esfregar os olhos e a repetir frases desconexas. Horas mais tarde, já em casa, publicou uma fotografia do rosto ensanguentado na rede social X e descreveu a experiência como “brutal”. “Todas as substâncias são uma muleta para tentar sentir-me neurotípico em público, mas obviamente isso não é uma solução real”, escreveu, acrescentando que a pior parte foi “o meu rosto a descolar da máscara de suporte de vida”. As autoridades de Miami confirmaram ter enviado equipas de emergência ao local, mas não divulgaram pormenores sobre as substâncias envolvidas.
O episódio lança luz sobre o “looksmaxxing”, subcultura digital que radicaliza a busca pela melhoria da aparência física através de métodos extremos. Entre as práticas documentadas por fontes norte-americanas e australianas contam-se a microdosagem de metanfetaminas, o uso de testosterona e esteroides, e até o recurso a martelos para fraturar ossos faciais. O próprio Peters listara anteriormente, numa emissão, um regime que incluía testosterona, Accutane, peptídeos e outros fármacos, e já enfrentou acusações de agressão e investigações por ter disparado sobre um jacaré. Durante o streaming fatal, o também “looksmaxxer” australiano Androgenic foi ouvido a oferecer-lhe Adderall, um estimulante anfetamínico, o que gerou forte reação entre os fãs.
Na perspetiva de Brasília e de Lisboa, o caso ecoa inquietações crescentes sobre a pressão estética digital. Observadores brasileiros apontam que o culto da imagem impulsionado por influenciadores já se infiltrou em comunidades de adolescentes das periferias urbanas, muitas vezes sem acesso a informação sobre os riscos para a saúde. Em Portugal, psicólogos alertam para o aumento da dismorfia corporal entre jovens inspirados por estes modelos, enquanto analistas africanos lusófonos, de Luanda a Maputo, notam que a expansão da internet móvel está a expor uma geração a padrões de beleza inalcançáveis, replicando dinâmicas de consumo de risco.
Apesar da recomendação de repouso médico, Peters anunciou na manhã seguinte que tencionava estar presente na inauguração de um novo clube nessa noite. O gesto sublinha a lógica de espetáculo que alimenta a audiência — e a economia da atenção — em que o bem-estar pessoal se subordina à performance. O episódio, longe de ser isolado, integra uma sequência de incidentes com criadores que ultrapassam os limites físicos diante das câmaras, colocando em causa os mecanismos de responsabilização das plataformas e a ausência de regulação sobre conteúdos que glamorizam a automedicação e a autodestruição estética.
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