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segunda-feira, 8 de junho de 2026 · Edição das 20:00 CET

Huawei anuncia avanço em chips que desafia sanções dos EUA, enquanto rivais americanos lucram na China

A gigante chinesa revelou um novo método de fabricação que promete contornar restrições às máquinas de litografia. O anúncio ocorre num cenário de investimentos globais: a Infineon inaugura fábrica em Dresden e a Nvidia prepara sede em Taiwan.

Geopolítica7 veículos4 idiomas3 min de leituraAtualizado 04:57

A Huawei anunciou na segunda-feira um novo processo de fabricação de semicondutores que, segundo a chefe da divisão de chips da empresa, permitirá produzir circuitos de ponta dentro de cinco anos, contornando as sanções impostas pelos Estados Unidos. A gigante chinesa, proibida desde 2019 de adquirir componentes e tecnologias americanas — incluindo as máquinas de litografia essenciais para os chips mais avançados —, descreveu o feito como um marco na estratégia de autossuficiência tecnológica de Pequim.

O anúncio ocorre num momento em que a interdependência no setor se mantém, apesar das tensões comerciais. Dados do Instituto Hurun, divulgados na segunda-feira, mostram que 26 empresas americanas de semicondutores, entre elas Qualcomm e Nvidia, viram as suas receitas na China crescer em média 20% em 2025. O levantamento revela como, ainda que Washington e Pequim classifiquem os semicondutores como setor estratégico, os fluxos comerciais persistem, movidos pela procura chinesa por silício de alto desempenho.

Na Europa, o cenário também é de expansão. A alemã Infineon prepara para 2 de julho a inauguração da sua nova fábrica em Dresden, um investimento de cinco mil milhões de euros que o presidente-executivo classifica como preparação para um “amplo recobro”. Em Taiwan, o CEO da Nvidia, Jensen Huang, aterrou no sábado para participar, na quarta-feira, da cerimónia de lançamento da sede da empresa em Taipé e se reunir com os dirigentes da TSMC e da Quanta. A ASUS, por sua vez, anunciou que apresentará na Computex 2026, de 2 a 5 de junho, as suas mais recentes soluções de computação com inteligência artificial, reforçando o papel da ilha como centro de inovação.

No campo da energia, a Huawei reuniu mais de 800 participantes de 50 países na sua cimeira de visionários C&I, onde apresentou soluções solares e de armazenamento e defendeu que os setores residencial e comercial lideram a transição energética. A empresa procura, assim, afirmar-se também na economia verde, num momento em que procura diversificar as fontes de receita face aos bloqueios ocidentais.

Observadores em Brasília notam que a aceleração da disputa tecnológica entre Washington e Pequim fragmenta as cadeias globais de abastecimento, com reflexos diretos para países lusófonos dependentes de importações de semicondutores. A aposta da Huawei numa rota própria de fabricação, conjugada com os investimentos paralelos na Alemanha e em Taiwan, desenha um mapa no qual a inovação se desloca para contornar barreiras geopolíticas, enquanto a procura por chips de inteligência artificial continua a alimentar uma rede de cooperação e rivalidade simultâneas.

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Zawya
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