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terça-feira, 9 de junho de 2026 · Edição das 20:00 CET

França e aliados ocidentais impõem sanções a colonos israelenses e barram ministro Smotrich

França proibiu a entrada do ministro das Finanças israelense, Bezalel Smotrich, e coordenou sanções com Reino Unido, Canadá, Austrália, Nova Zelândia e Noruega contra a violência na Cisjordânia.

Política20 veículos9 idiomas3 min de leituraAtualizado 20:00

A França anunciou na terça-feira a proibição de entrada em seu território do ministro das Finanças de Israel, Bezalel Smotrich, de quatro dirigentes de organizações de colonos e de 21 colonos acusados de atos violentos. A medida integra uma nova frente de sanções coordenadas com o Reino Unido, o Canadá, a Austrália, a Nova Zelândia e a Noruega, que visam travar a escalada da colonização e da violência na Cisjordânia ocupada. O ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Jean-Noël Barrot, afirmou que Smotrich “promove ativamente a anexação da Cisjordânia, a criação de novos colonatos, a ‘recolonização’ de Gaza e o colapso económico da Autoridade Palestiniana”, uma política que, na sua avaliação, a esmagadora maioria da comunidade internacional não pode aceitar.

A ação coletiva foi sublinhada por Londres, que aconselhou as empresas britânicas a cessarem todas as atividades nos colonatos e anunciou sanções contra redes de financiamento que sustentam milícias de colonos. Em comunicado conjunto, os cinco países – Reino Unido, Austrália, Canadá, França e Noruega – advertiram que colonos extremistas continuam a atacar palestinianos desarmados com total impunidade, e que novas medidas serão adoptadas se o governo israelita não agir urgentemente. O movimento surgiu após uma investigação das Nações Unidas que apontou o envolvimento direto das autoridades israelitas em ataques de colonos que causaram mortes e deslocamentos forçados.

Do lado israelita, o titular dos Negócios Estrangeiros classificou as sanções como “vergonhosas”, enquanto a imprensa religiosa descreveu o episódio como parte de uma “onda de sanções europeias” contra Israel. Smotrich é o segundo ministro do executivo de Benjamin Netanyahu a ser barrado por Paris, depois de Itamar Ben Gvir ter sido proibido de entrar em França, em maio, por ter ridicularizado ativistas detidos durante o assalto à flotilha que tentava furar o bloqueio de Gaza. A França tornou-se assim o décimo país ocidental a vedar a entrada de Smotrich, juntando-se a Espanha, Reino Unido, Canadá, Nova Zelândia, Austrália, Noruega, Eslovénia, Irlanda e Países Baixos.

Na perspetiva de Brasília, a medida reforça a condenação de longa data do Brasil à expansão dos colonatos, ainda que o país não tenha adotado proibições individuais de entrada. Observadores em Lisboa notam que Portugal, como membro da União Europeia, subscreve a linha de defesa intransigente da solução de dois Estados, ecoando a posição expressa pelos parceiros europeus. Em África, os países lusófonos, no âmbito da CPLP, têm reiterado em fóruns multilaterais o apoio aos direitos palestinianos e a rejeição de anexações unilaterais, alinhando-se com a condenação internacional.

As sanções coordenadas evidenciam um endurecimento progressivo da diplomacia ocidental em relação à ala mais radical do governo israelita. Ao isolar figuras como Smotrich e ao expor as redes financeiras que alimentam a violência, os aliados tradicionais de Israel procuram preservar a viabilidade da solução de dois Estados e conter uma dinâmica de factos consumados no terreno que, advertem, pode inviabilizar qualquer horizonte de paz.

Como a mesma história é contada em outros lugares.

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Stampa europea continentale · mediterraneaStampa iraniana e affini · regimeStampa israeliana · criticaStampa arabo levante-Maghreb
Stampa europea continentale/ mediterraneaindignazionepragmatismo

A imprensa da Europa continental apresenta as sanções coordenadas como uma resposta firme e pragmática à violência dos colonos e à retórica anexionista. Paris, Londres e outros parceiros proíbem a entrada de Smotrich e visam as organizações que alimentam a expansão ilegal, sublinhando que a 'recolonização' de Gaza é inaceitável.

Stampa iraniana e affini/ regimeindignazionerevanscismo

A mídia iraniana retrata as sanções ocidentais como um reconhecimento tardio e insuficiente dos crimes do regime sionista. Destaca os apelos extremistas de Smotrich por anexação e reocupação como prova do crescente isolamento de Israel, denuncia o apoio sistemático à violência dos colonos e exige medidas muito mais duras contra os líderes israelenses.

Stampa israeliana/ criticascetticismopragmatismo

A imprensa crítica israelense relata a proibição francesa a Smotrich e as sanções coordenadas como um sinal de crescente atrito entre o governo de extrema direita e os aliados ocidentais. Embora condene a violência dos colonos e observe o conselho britânico para que empresas deixem os assentamentos, manifesta ceticismo quanto à eficácia desses gestos simbólicos.

Stampa arabo levante-Maghrebindignazioneurgenza

A imprensa árabe enquadra as sanções ocidentais coordenadas como um reconhecimento há muito esperado do terrorismo dos colonos contra os palestinos, condenando Smotrich como um símbolo do colonialismo extremista. Sublinha a impunidade dos ataques dos colonos e alerta que a paciência internacional com as políticas expansionistas de Israel se esgotou, saudando as proibições de entrada como um passo em direção à responsabilização.

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Donya-e Eqtesad9 de jun., 17:18
L'Espresso9 de jun., 16:07
Affari Italiani9 de jun., 17:18
France 249 de jun., 14:56
Al-Monitor Iran Pulse9 de jun., 16:09
Khabar Online9 de jun., 17:21
An-Nahar9 de jun., 14:33
CNN Arabic9 de jun., 17:19