Fracassam as históricas negociações de paz entre EUA e Irão em Islamabad
Após 21 horas de conversações, os EUA e o Irão não chegaram a acordo. Washington exigia garantias nucleares e a reabertura do Estreito de Ormuz; Teerão fala em exigências irrazoáveis. O frágil cessar-fogo permanece em risco.

As primeiras conversações diretas de alto nível entre Washington e Teerão desde a Revolução Islâmica de 1979 terminaram sem entendimento, após uma maratona negocial de 21 horas em Islamabad. O vice-presidente norte-americano, J. D. Vance, anunciou que o Irão «optou por não aceitar os nossos termos», descrevendo o impasse como «más notícias para o Irão». A delegação iraniana, liderada pelo presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Qalibaf, atribuiu o fracasso às «exigências excessivas» dos Estados Unidos, enquanto o mediador paquistanês apelava à manutenção do cessar-fogo.
Na perspetiva de Washington, o ponto de rutura foi a ausência de um «compromisso afirmativo» de que Teerão não procurará desenvolver armas nucleares a longo prazo. A questão do Estreito de Ormuz, via marítima vital para o comércio global de petróleo, também travou o acordo: fontes iranianas, citadas pela agência Fars, condicionaram a sua reabertura à aceitação de um «acordo razoável» que incluísse o descongelamento de fundos iranianos no exterior. A imprensa europeia sublinha que três nós – Ormuz, o destino das reservas de urânio enriquecido e os ativos financeiros – impediram o compromisso.
A fragilidade do cessar-fogo, anunciado dias antes, foi exposta em paralelo ao diálogo. Dois contratorpedeiros norte-americanos atravessaram o Estreito de Ormuz para operações de remoção de minas, depois de o Presidente Trump afirmar que todas as embarcações iranianas de colocação de minas foram destruídas. Israel, por seu lado, intensificou os bombardeamentos no Líbano, com centenas de mortos, o que, segundo analistas em Washington e Telavive, mina a confiança na trégua e o espaço diplomático.
A nível global, a ministra australiana dos Negócios Estrangeiros classificou o impasse como «dececionante» e pediu o regresso às negociações. Em Brasília, observadores do setor energético alertam para o risco de volatilidade nos preços do petróleo, com impacto direto na Petrobras e na economia angolana, membro da OPEP. Em Lisboa, diplomatas acompanham o dossier com apreensão, cientes de que um agravamento do conflito afetaria as cadeias de abastecimento atlânticas. Apesar do falhanço, o Irão garantiu que «a diplomacia nunca termina» e que os contactos prosseguirão, mas a saída de Vance com a «oferta final» americana e linhas vermelhas inamovíveis adensa a incerteza sobre o futuro da paz no Médio Oriente.
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