EUA querem restabelecer presença militar na Groenlândia, afirma enviado de Trump
Em visita não oficial, Jeff Landry defendeu a reativação de bases e o reforço da segurança nacional no território autónomo dinamarquês, reacendendo tensões com a ilha e a Europa.

O enviado especial dos Estados Unidos para a Gronelândia, Jeff Landry, afirmou na quarta-feira que «chegou o momento de os Estados Unidos voltarem a deixar a sua marca na Gronelândia». A declaração, feita à AFP no final de uma visita de quatro dias iniciada a 18 de maio, marca a primeira deslocação do também governador republicano da Louisiana desde que foi nomeado, em dezembro de 2025, e reacendeu a controvérsia sobre os desígnios de Washington no Ártico. Landry não foi oficialmente convidado pelas autoridades locais, o que gerou forte mal-estar em Nuuk e entre os aliados europeus.
Na base da insistência está um argumento geoestratégico antigo. Durante a Guerra Fria, os EUA mantiveram 17 instalações militares na ilha, das quais só resta hoje a base de Pituffik, no extremo norte. «O presidente fala em intensificar as operações de segurança nacional e em voltar a colocar pessoal em determinadas bases», sublinhou Landry, acrescentando que «a Gronelândia precisa dos Estados Unidos». A ilha situa-se na rota mais curta para mísseis balísticos disparados da Rússia em direção ao território norte-americano, fator que a administração Trump considera vital para dissuadir também a crescente presença chinesa na região.
Observadores em Lisboa notam que a nova ofensiva retórica de Washington insere a Gronelândia numa lógica de competição entre grandes potências que ecoa o passado, mas que agora se desenrola num quadro de maior contestação às normas multilaterais. De Brasília, a insistência americana é lida como um aviso para o Sul Global: os princípios de soberania territorial podem ser relativizados quando interesses estratégicos assim o exigem, um debate familiar a países africanos lusófonos com vastas zonas marítimas sob pressão externa. A visita de Landry não apenas testa a resiliência da autonomia groenlandesa como expõe a fragilidade da ordem internacional perante uma Casa Branca que já ameaçou anexar o território.
Em janeiro de 2025, Trump recuara das ameaças de anexação, mas a presença do seu enviado demonstra que o projeto não foi arquivado. Analistas projetam que Washington procurará agora negociar um novo acordo de defesa com Copenhaga e com o governo groenlandês, que tem rejeitado qualquer subordinação aos interesses americanos. O episódio coloca ainda a Europa perante a urgência de uma autonomia estratégica que vá além da retórica, enquanto a população da ilha continua a exigir respeito pela sua voz própria num tabuleiro geopolítico cada vez mais tenso.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
Trump's envoy arrived in Greenland without an invitation, but the Greenlandic premier met with him. The island's leaders reiterated that Greenland is not for sale and that their red lines must be respected. The visit is seen as a step in ongoing talks, but US ambitions remain unchanged.
The US is demanding a major role in Greenland in closed-door talks. Greenlandic officials are worried about the direction of negotiations and feel they have little leverage. The situation stems from Trump's earlier threats to seize the island.
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