EUA impõem bloqueio naval ao Irão no estreito de Ormuz após colapso de negociações
Novo bloqueio norte-americano interrompe fluxo de petróleo e acentua tensão global, enquanto Teerão denuncia 'pirataria' e Pequim adverte Washington contra interferências. Londres nega apoio e Islamabad tenta retomar diálogo.

A entrada em vigor do bloqueio naval norte-americano ao Irão, na madrugada de segunda-feira (13 de abril de 2026), marcou uma perigosa escalada no conflito do Médio Oriente. Após 21 horas de conversações em Islamabad, mediadas pelo Paquistão, terminarem sem acordo, o Presidente Donald Trump anunciou que a Marinha dos EUA impediria qualquer navio de entrar ou sair de portos iranianos, incluindo aqueles que tivessem pago a Teerão uma taxa de passagem pelo estreito de Ormuz. A medida, descrita por Washington como uma forma de "apertar o cerco económico" ao regime, foi justificada por Trump como resposta à "extorsão" de Teerão, que já controlava a passagem naquela vital artéria energética mundial.
A reação internacional foi imediata e dividida. O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, recusou apoiar o bloqueio e anunciou que mobilizaria 40 países para forçar a reabertura do estreito, condenando simultaneamente a ação iraniana de o ter fechado anteriormente. A China, por sua vez, advertiu os EUA a não interferirem nas suas relações comerciais e energéticas com Teerão, afirmando que continuaria a honrar os seus acordos e que os seus navios manter-se-iam na região. Em Teerão, o bloqueio foi denunciado como "pirataria", enquanto milhares protestavam nas ruas. O Paquistão, anfitrião das negociações, intensificou os esforços diplomáticos para retomar o diálogo antes do fim do frágil cessar-fogo.
O impacto económico foi sentido de imediato. O preço do barril de Brent, que havia disparado com a notícia do bloqueio, recuou ligeiramente na terça-feira, caindo para os 97,5 dólares, ainda sob grande volatilidade. O tráfego diário no estreito, que normalmente ultrapassa as 100 embarcações, reduziu-se a três ou quatro navios, fazendo soar alarmes sobre uma crise alimentar global e disrupções nas cadeias de abastecimento. Observadores em Lisboa e Brasília notam que a economia mundial, ainda em recuperação, enfrenta um novo choque inflacionista que poderá afetar os preços dos combustíveis e alimentos nos países lusófonos, particularmente vulneráveis.
Do ponto de vista geoestratégico, o bloqueio coloca em confronto os limites do direito internacional e os riscos de uma guerra mais ampla. Juristas sublinham que a liberdade de navegação em estreitos internacionais é um princípio basilar da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, e que a ação americana se assemelha a um ato de guerra, enquanto Pequim acusa Washington de violar a soberania iraniana. Além disso, os rebeldes houthis do Iémen, aliados de Teerão, poderão retaliar bloqueando o Bab al-Mandab, outro ponto de estrangulamento crucial, ampliando o caos marítimo. A ameaça de Trump de "eliminar" qualquer embarcação iraniana que desafie o bloqueio eleva o risco de confrontos diretos com a Guarda Revolucionária, que ainda dispõe de lanchas rápidas capazes de atacar navios de guerra.
Para analistas, o bloqueio revela não só o fracasso da campanha aérea para obrigar o Irão a capitular, mas também uma tentativa de Trump de forçar aliados reticentes a alinharem-se com Washington. Enquanto o vice-presidente J.D. Vance admitiu que Teerão "mostrou alguma flexibilidade", mas não suficiente, a perspetiva de uma segunda ronda de conversações, possivelmente em Genebra, mantém viva a esperança de uma saída diplomática. Contudo, com o relógio do cessar-fogo a correr e a pressão económica a aumentar, o desfecho permanece incerto, com o estreito de Ormuz a funcionar como barómetro de uma crise que ameaça arrastar o mundo para uma recessão de proporções históricas.
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