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EUA impõem bloqueio ao Estreito de Ormuz e elevam tensão global após fracasso de negociações com Irão

Washington lança cerco naval a portos iranianos, enquanto aliados se distanciam e Pequim adverte contra interferência. Petróleo sobe e teme-se crise alimentar mundial.

Economia21 veículos4 idiomas3 min de leituraAtualizado 09:57

O bloqueio naval norte-americano ao Estreito de Ormuz entrou em vigor na segunda-feira, depois de 21 horas de conversações em Islamabad entre os Estados Unidos e o Irão terem terminado sem acordo. A ordem de Donald Trump determina que a Marinha dos EUA impeça qualquer navio de atracar ou zarpar de portos iranianos, ao mesmo tempo que ameaça afundar embarcações iranianas que se aproximem da força de bloqueio. Teerão, que já restringira a passagem pelo corredor petrolífero, denunciou a medida como «pirataria», num cenário em que as duas potências, ainda que involuntariamente, estrangulam em conjunto uma artéria vital da economia mundial.

Na perspetiva de Londres, o primeiro-ministro Keir Starmer recusou apoio ao bloqueio e reuniu 40 nações para exigir a reabertura do estreito, mas condenou igualmente a atitude iraniana. Em Pequim, o ministro da Defesa chinês avisou os EUA para não interferirem nos laços comerciais e energéticos da China com o Irão, garantindo que os seus navios continuarão a operar na zona. Observadores em Brasília sublinham que a volatilidade do preço do petróleo – que chegou a ultrapassar os 100 dólares por barril – atinge diretamente a economia brasileira, dependente de importações de combustíveis. As capitais da África lusófona, de Luanda a Maputo, enfrentam o risco de agravamento da crise alimentar global, à medida que a logística marítima se desorganiza.

Do ponto de vista jurídico, especialistas citados por analistas internacionais lembram que a liberdade de navegação em estreitos internacionais é um princípio basilar da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, o que torna a legalidade do bloqueio duvidosa. A tensão alastra-se a outros pontos de estrangulamento: receia-se que os houthis do Iémen, aliados do Irão, possam retaliar fechando o estreito de Bab al-Mandab, multiplicando os danos ao comércio global. A Casa Branca, por seu lado, insiste que o objetivo é forçar Teerão a regressar à mesa de negociações, enquanto fontes paquistanesas pressionam por uma nova ronda antes que o frágil cessar-fogo expire.

Apesar de o vice-presidente J.D. Vance ter admitido que o Irão deu alguns sinais de flexibilidade, as condições impostas por Washington não foram aceites. Analistas em Lisboa notam que a estratégia de Trump, ao estrangular a economia iraniana, repete a lógica de pressão máxima, mas encontra agora uma resistência reforçada pelo controlo iraniano do estreito e pelo tempo que joga a favor de Teerão. O bloqueio já reduziu o tráfego diário de mais de uma centena de navios para apenas três ou quatro, abrindo uma crise de abastecimento cujas repercussões se farão sentir desde as bombas de gasolina na Europa até às cadeias de distribuição de alimentos no hemisfério sul.

Enquanto prosseguem os esforços diplomáticos, o risco de um confronto direto com a China ou de uma escalada regional permanece latente. A comunidade internacional vê-se dividida entre condenar a manobra unilateral americana e exigir que o Irão desbloqueie a via marítima. Para o mundo lusófono, a lição é clara: em crises de alcance planetário, a segurança energética e alimentar depende de soluções multilaterais que os atores estatais, neste momento, tardam em construir.

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