Escândalos sexuais derrubam dois congressistas nos EUA e embaralham corrida na Califórnia
Eric Swalwell e Tony Gonzales anunciam saída do Congresso sob acusações de má conduta; retirada de Swalwell abre crise na disputa pelo governo da Califórnia.

O congressista democrata Eric Swalwell, até há pouco favorito nas sondagens para o governo da Califórnia, anunciou na segunda-feira que renunciará ao mandato na Câmara dos Representantes, depois de várias mulheres o terem acusado de agressão sexual e assédio. A decisão surgiu horas depois de ter suspendido a campanha para o governo estadual e no mesmo dia em que o Comité de Ética da Câmara abriu uma investigação ao seu comportamento [A5][A6][A12]. Swalwell negou as acusações, mas pediu desculpa por “erros de julgamento” e afirmou que um processo de expulsão sumária sem o devido processo seria errado, embora reconhecesse que a sua permanência distrairia os eleitores das suas funções [A17][A18].
A queda do político de sete mandatos, que fora um dos rostos mais combativos dos democratas contra Donald Trump, ganhou contornos ainda mais graves com a divulgação de uma investigação criminal em Manhattan sobre uma alegada violação de uma antiga funcionária em Nova Iorque, em 2024 [A24]. Outras três mulheres relataram contactos indesejados e envio de imagens explícitas, enquanto o marido de uma das denunciantes advertiu publicamente o congressista a não tentar desacreditar a mulher [A11]. O próprio senador Ruben Gallego, amigo próximo de Swalwell, distanciou‑se, afirmando que as vítimas merecem ser acreditadas e que não tinha conhecimento prévio das acusações [A10].
A saída de Swalwell da corrida ao governo da Califórnia deixou os democratas em estado de choque. O partido, que já enfrentava um campo demasiado fragmentado e falta de entusiasmo eleitoral, vê agora o seu principal candidato desaparecer, o que, segundo analistas, abre a hipótese de os republicanos conseguirem excluir os democratas da eleição geral num dos estados mais progressistas do país [A16]. Os grandes doadores, que se tinham alinhado com Swalwell, procuram rapidamente um novo nome forte; a ex‑deputada Katie Porter e o bilionário Tom Steyer surgem como beneficiários imediatos, apesar das resistências que ambos enfrentam entre os eleitores [A21].
A debandada não se limitou aos democratas. No mesmo dia, o republicano Tony Gonzales, do Texas, anunciou a sua saída do Congresso perante a ameaça de expulsão, depois de ter admitido um caso extraconjugal com uma assessora que, mais tarde, se suicidou [A3][A14][A15]. Gonzales invocou um “tempo para tudo” e disse que se retiraria assim que o Congresso regressasse [A3]. As duas renúncias simultâneas sublinham um momento invulgar de fragilidade ética nos dois principais partidos, que agora terão de organizar eleições especiais num ano legislativo já tenso, com maiorias mínimas em jogo [A19][A22].
Para observadores lusófonos, a rápida implosão de carreiras políticas sob o escrutínio de alegações de abuso sexual evoca escândalos que abalaram o Brasil nos últimos anos, onde figuras de proa viram os seus projectos naufragar em poucos dias. A diferença, notam analistas em Brasília, está na velocidade com que o sistema partidário americano, pelo menos nestes casos, força a renúncia antes mesmo de uma conclusão judicial. Na Califórnia, a incógnita persiste: se os democratas não conseguirem unir‑se rapidamente em torno de um nome viável, a eleição para substituir Gavin Newsom poderá produzir um desfecho impensável num estado que dita tendências nacionais.
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