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Escândalo sexual derruba dois congressistas dos EUA e baralha corrida na Califórnia

Eric Swalwell, favorito ao governo californiano, renuncia ao Congresso após denúncias de agressão; no mesmo dia, o republicano Tony Gonzales também anuncia saída.

Sociedade21 veículos3 idiomas3 min de leituraAtualizado 09:58

O congressista democrata Eric Swalwell, figura em ascensão que chegou a disputar as primárias presidenciais de 2020, anunciou na segunda-feira a renúncia ao seu lugar na Câmara dos Representantes, ao mesmo tempo que o republicano Tony Gonzales, do Texas, comunicou que deixará o Congresso. As decisões, motivadas por escândalos sexuais distintos, ocorrem num momento de maioria republicana frágil e ilustram a rapidez com que carreiras políticas podem ser destruídas quando entram em cena denúncias de má conduta.

As acusações contra Swalwell explodiram na sexta-feira anterior, quando uma antiga colaboradora revelou ao San Francisco Chronicle ter sido agredida sexualmente num hotel de Nova Iorque em 2024. O gabinete do procurador de Manhattan abriu uma investigação, e outras três mulheres acusaram o congressista de enviar fotografias íntimas e mensagens inapropriadas. Swalwell negou a violação, mas admitiu “erros de julgamento” e retirou a candidatura a governador no domingo, antes de ceder à pressão bipartidária pela expulsão. O senador Ruben Gallego, seu amigo próximo, apressou-se a romper laços e a apoiar as mulheres.

Na perspetiva de Brasília, o episódio relembra casos em que denúncias de teor sexual atingiram figuras públicas, ainda que a arquitetura ética do Congresso norte-americano tenha mostrado uma capacidade de reação mais ágil do que a verificada noutras democracias. Observadores em Lisboa assinalam o contraste com processos disciplinares que, em sistemas parlamentares europeus, podem arrastar-se por meses. A imprensa asiática, como o South China Morning Post, sublinhou o risco de o Partido Democrata perder um bastião devido à fragmentação do voto nas primárias abertas da Califórnia.

A saída de Swalwell do páreo abriu um vazio na corrida pelo governo estadual. Grandes doadores procuram um novo nome; a ex-deputada Katie Porter e o bilionário Tom Steyer são apontados como potenciais beneficiários, enquanto a comentadora Sunny Hostin sugeriu que Kamala Harris reconsiderasse a candidatura ao executivo da Califórnia. A dispersão de candidatos democratas numa primária do tipo “top‑two” pode permitir que dois republicanos avancem para a eleição geral — cenário que analistas classificam como um “erro forçado de proporções históricas”.

Simultaneamente, a renúncia de Gonzales, que admitiu um caso com uma assessora que mais tarde se suicidou, obriga a eleições especiais em dois distritos, aumentando a pressão sobre uma maioria republicana que se conta por uma mão-cheia de lugares. A confluência das duas demissões num só dia expõe um Congresso sob um escrutínio ético sem precedentes recentes e mecanismos disciplinares que, embora acelerados pelo clamor público, deixam no ar a dúvida sobre a consistência dos critérios aplicados.

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