Escândalos forçam demissão da secretária do Trabalho dos EUA, terceira ministra a cair
Lori Chavez-DeRemer deixa o cargo sob investigações de conduta imprópria e uso indevido de fundos, num ciclo de baixas femininas na administração Trump.

A renúncia da secretária do Trabalho dos Estados Unidos, Lori Chavez-DeRemer, anunciada pela Casa Branca na segunda-feira, transformou-se no terceiro desligamento de uma ministra do governo de Donald Trump em poucas semanas. Depois das saídas da secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, e da procuradora-geral, Pam Bondi, a demissão de Chavez-DeRemer intensifica a perceção de instabilidade no alto escalão, num momento em que a administração enfrenta múltiplas frentes de escrutínio. Oficialmente, a agora ex-ministra transitará para o setor privado, mas fontes da imprensa norte-americana e europeia revelam que a sua curta gestão de 13 meses foi minada por graves acusações.
Segundo as investigações internas conduzidas pelo inspetor-geral do Departamento do Trabalho, em curso desde janeiro, Chavez-DeRemer terá exigido a subordinados que falsificassem documentos para ocultar viagens pessoais custeadas com dinheiro público. Relatos veiculados pela imprensa dos EUA indicam ainda que mantinha no gabinete uma reserva de bebidas alcoólicas, consumidas em horário de expediente, e usava funcionários para recados privados — como a compra de vinho. Uma investigação do Congresso e queixas de direitos civis aprofundaram a crise, enquanto o seu próprio staff qualificava o ambiente de trabalho como “tóxico e sem rumo”. A par disso, surgiram alegações de uma relação imprópria com um membro da sua equipa de segurança, amplamente noticiadas.
Na perspetiva de Brasília, o episódio ecoa preocupações sobre a transparência na gestão pública e o papel das mulheres em cargos de poder, mas analistas europeus, como os citados em Itália e Espanha, sublinham sobretudo o padrão de afastamento de figuras femininas no gabinete Trump. Já a imprensa árabe e russa enfatiza o caráter cumulativo das demissões, recordando que Chavez-DeRemer é a terceira ministra a cair em menos de dois meses e que, apesar dos elogios formais, a saída foi na prática uma demissão forçada.
Com a posse imediata do vice-secretário Keith Sonderling como interino, a Casa Branca tenta conter os danos políticos. Contudo, a sucessão de escândalos enfraquece a autoridade moral do Departamento do Trabalho numa altura em que o governo se prepara para negociar acordos comerciais e normas laborais com parceiros estratégicos, incluindo o Brasil. A demissão de Chavez-DeRemer sugere que o escrutínio interno pode ainda produzir novas baixas, num ano legislativo já tumultuado.
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