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Escândalo sexual derruba deputado democrata dos EUA, abalando corrida na Califórnia

Eric Swalwell renuncia ao Congresso após múltiplas acusações de assédio e agressão sexual. Aliados afastam-se e republicanos questionam conhecimento prévio dos líderes democratas.

Legislação14 veículos3 idiomas3 min de leituraAtualizado 09:54

O deputado democrata Eric Swalwell, da Califórnia, anunciou na segunda-feira a renúncia ao Congresso dos Estados Unidos, poucos dias depois de ter suspendido a sua campanha ao governo do estado mais populoso do país. A decisão surge na sequência de um conjunto de alegações de conduta sexual imprópria, incluindo uma acusação de violação por parte de uma antiga assessora. Swalwell classificou as acusações como "falsas", mas pediu desculpa por "erros de julgamento" que cometeu no passado. O anúncio foi recebido com alívio por democratas e republicanos, entre os quais a senadora Elizabeth Warren, que elogiou a decisão, enquanto os conservadores questionam o que as principais figuras do partido sabiam antes da queda do agora ex-candidato a governador.

As acusações, noticiadas pela primeira vez no San Francisco Chronicle e depois amplificadas por cadeias como a CNN, incluem o testemunho de uma antiga colaboradora que afirma ter sido agredida sexualmente num hotel de Nova Iorque enquanto estava embriagada, o que levou o gabinete do procurador de Manhattan a abrir uma investigação. Outras três mulheres acusaram o congressista de contactos indesejados e envio de conteúdos explícitos. Swalwell, que em 2020 disputara sem êxito a nomeação presidencial democrata e se notabilizara como um dos principais antagonistas de Trump no processo de impeachment, manteve uma negação veemente das alegações mais graves, mas reconheceu que a sua permanência no Congresso se tornara insustentável perante a ameaça de uma votação de expulsão imediata.

A dimensão do escândalo estendeu-se ao círculo mais próximo do político. O senador Ruben Gallego, do Arizona, descrito como um dos seus melhores amigos no Capitólio, distanciou-se publicamente, afirmando não ter qualquer conhecimento prévio das acusações e sublinhando que as mulheres "merecem ser acreditadas, apoiadas e ver justiça feita". Em paralelo, o marido de uma das denunciantes, a influenciadora Ally Sammarco, emitiu um aviso severo a Swalwell, alertando que qualquer tentativa de desacreditar a sua esposa resultaria em novas ações legais. A pressão bipartidária e a rápida erosão dos apoios internos selaram o destino do congressista.

A renúncia provoca um "quebra-cabeças inesperado" para os democratas californianos, que já se preparavam para substituir o governador Gavin Newsom, impedido de concorrer a um terceiro mandato. Swalwell liderava as sondagens para as primárias do partido, e a sua saída deixa um vazio num estado crucial. A coincidência temporal com a demissão de um congressista republicano do Texas, que admitiu um caso extraconjugal com uma assessora, sublinha um momento mais amplo de prestação de contas na política norte-americana, mas também a rapidez com que as carreiras podem ser destruídas quando as alegações se tornam públicas.

Na perspetiva de Brasília, o episódio ecoa os dilemas vividos durante os escândalos do mensalão e da Lava Jato, onde a tensão entre o devido processo legal e a pressão da opinião pública moldou os desfechos. Observadores em Lisboa notam que o caso se insere num padrão de renovada exigência de responsabilização individual que atravessa as democracias ocidentais, da Europa aos Estados Unidos. Para os países africanos de língua portuguesa, a queda de uma figura de primeiro plano lembra que os mecanismos de escrutínio, quando ativados, podem ter consequências imediatas, independentemente do peso político do visado. A expectativa agora recai sobre a eleição especial que determinará o sucessor de Swalwell e sobre o impacto que o escândalo terá na imagem do Partido Democrata numa Califórnia que, apesar da sua tradição progressista, se vê confrontada com fragilidades internas.

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