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segunda-feira, 8 de junho de 2026 · Edição das 20:00 CET

Coreia do Norte admite uso de inteligência artificial em mísseis de cruzeiro e eleva pressão sobre Seul

Pyongyang confirma pela primeira vez a integração de IA em sistemas de navegação de mísseis táticos, com alcance até 100 km, capazes de atingir a capital sul-coreana. Kim Jong-un supervisionou os testes e ordenou o destacamento imediato junto à fronteira.

Geopolítica5 veículos5 idiomas3 min de leituraAtualizado 04:28

A Coreia do Norte confirmou nesta quarta-feira o ensaio de um novo sistema de lançamento múltiplo ligeiro e de vários mísseis de cruzeiro táticos, alguns dos quais equipados com inteligência artificial para navegação e precisão. A agência estatal KCNA reportou que o próprio líder, Kim Jong-un, supervisionou os disparos na região de Jongju, província de Pyongan do Norte, na véspera, horas depois de o Exército sul-coreano detetar projéteis — entre eles mísseis balísticos de curto alcance e foguetes de artilharia — lançados em direção ao Mar Amarelo. O teste insere-se no plano quinquenal de modernização das forças armadas, mas a novidade tecnológica confirmada por Pyongyang representa uma escalada qualitativa.

Fontes oficiais norte-coreanas descreveram um míssil de cruzeiro com “navegação adaptativa ao terreno”, que usa IA para identificar irregularidades do relevo e atingir alvos com precisão “extraordinária” até 100 quilómetros, alcance que cobre integralmente a área metropolitana de Seul. Embora a imprensa sul-coreana tivesse assinalado o lançamento de engenhos balísticos e ogivas especiais, a revelação do componente de inteligência artificial foi destacada sobretudo pelas agências que cobrem Pyongyang a partir de Moscovo, Teerão e Telavive, que enfatizaram a automatização dos sistemas de tiro como um salto para a “guerra moderna”. Já os relatos difundidos na Europa ocidental deram mais relevo ao carácter nuclearizável das novas armas e à sua futura colocação nas unidades de artilharia de primeira linha.

Na perspetiva de Brasília, onde o Brasil acompanha com atenção a não proliferação a partir da sua tradição diplomática, a introdução de IA em vetores ofensivos de curto alcance reacende o debate sobre a urgência de novos marcos multilaterais para regular sistemas de armas autónomos. Observadores em Lisboa, inseridos na comunidade de segurança euro-atlântica, notam que a modernização norte-coreana coincide com um período de maior alinhamento entre Pyongyang e Moscovo, o que pode dificultar ainda mais qualquer tentativa de contenção no Conselho de Segurança da ONU. Para os países africanos de língua portuguesa, o risco de uma nova corrida armamentista no Leste Asiático surge como um fator de instabilidade global com potenciais reflexos nos preços das matérias-primas e na segurança das rotas marítimas.

Kim Jong-un afirmou que os sistemas de lançamento automatizados foram atualizados para corresponder às “condições adequadas da guerra contemporânea” e determinou o seu emprego imediato junto à fronteira com o Sul. A declaração, conjugada com a exibição de ogivas para “missões especiais”, sinaliza que o regime pretende manter a iniciativa militar enquanto aprofunda a perceção de ameaça contra a capital adversária. A incorporação de IA, ainda que em fase experimental, confere maior imprevisibilidade a um arsenal já saturado de ambiguidades, desafiando os meios de defesa antimíssil convencionais. O teste desta semana sublinha, assim, que o programa armamentista norte-coreano continua a avançar não só em quantidade, mas também em sofisticação, com potenciais consequências para o equilíbrio estratégico na península e para o regime global de controlo de tecnologia de mísseis.

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