Cimeira inédita EUA-Irão em Islamabad termina sem acordo e com acusações mútuas
Em Islamabad, a primeira reunião de alto nível entre Washington e Teerã em mais de quatro décadas colapsou após 21 horas. O vice-presidente Vance deixou o Paquistão sem acordo nuclear, enquanto Irã denunciou exigências excessivas.

O vice-presidente norte-americano J. D. Vance deixou Islamabad de mãos vazias, depois de apresentar a «nossa melhor e última oferta» às delegações iranianas. Foi o primeiro contacto direto a este nível desde a revolução de 1979, mediado pelo Paquistão, e terminou sem compromisso verificável de Teerã sobre o programa nuclear. Apesar de mais de vinte horas de conversações entre chefes de delegação e equipas técnicas, Vance afirmou que «o Irã decidiu não aceitar as nossas condições» e que a ausência de uma garantia de longo prazo sobre a renúncia à arma atómica foi o ponto de rutura.
Três nós bloquearam o entendimento: a reabertura imediata do Estreito de Ormuz, o destino das reservas de urânio altamente enriquecido e o descongelamento de fundos iranianos retidos no exterior. Washington exigia o fim do bloqueio da via marítima e um compromisso nuclear «afirmativo» e duradouro; Teerã condicionava Ormuz a um «acordo razoável» e reclamava compensações e a libertação de ativos. A delegação iraniana, liderada pelo presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que não ganhou confiança na equipa americana e denunciou «exigências excessivas». Fontes próximas dos Guardas Revolucionários avisaram que a situação no estreito não se alterará sem um acordo aceitável, e o Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano sublinhou que Teerã «não tem pressa em iniciar novas negociações».
O desfecho foi acolhido com frieza em Washington: o presidente Donald Trump comentou que o resultado lhe era «indiferente» e ameaçou «um acordo ou ataques mais duros», enquanto Israel, pela voz de Benjamin Netanyahu, reivindicou ter destruído o programa nuclear e de mísseis iraniano. A ministra dos Negócios Estrangeiros da Austrália, Penny Wong, classificou o fracasso como «dececionante» e pediu o regresso urgente às conversações. Apesar das recriminações, a diplomacia iraniana deixou a porta entreaberta — «os contactos prosseguirão», afirmaram fontes em Teerã —, mas a desconfiança mútua e a movimentação de navios de guerra americanos pelo Estreito de Ormuz, com Trump a ordenar a sua «limpeza», desenham um horizonte de tensão prolongada.
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