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Ataques recíprocos de drones e alívio de sanções agitam novo capítulo da guerra na Ucrânia

Enquanto mísseis e enxames de drones atingem cidades dos dois lados, Washington suspende sanções ao petróleo russo. Nas trincheiras digitais, unidades femininas de drones redefinem o rosto do conflito.

Geopolítica4 veículos3 idiomas3 min de leituraAtualizado 08:02

Na madrugada de 19 de abril, a guerra aérea entre Rússia e Ucrânia escalou para uma das jornadas mais letais de ataques recíprocos com drones. As forças aéreas ucranianas reportaram 236 engenhos lançados por Moscovo, dos quais 203 terão sido neutralizados; ainda assim, 32 drones de ataque atingiram 18 locais, provocando a morte de um adolescente de 16 anos em Chernihiv e danos num liceu, em habitações e numa unidade de saúde já antes destruída [A1]. Simultaneamente, drones ucranianos visaram a retaguarda russa: no porto de Tuapse, no mar Negro, um homem morreu e outro ficou ferido, num ataque que provocou incêndio e danos em telhados de uma escola primária, de um jardim de infância, de uma igreja e de um museu, além de ter atingido uma conduta de gás [A2]. Em Taganrog, na região de Rostov, mísseis e drones ucranianos caíram sobre a fábrica Atlant Aero, especializada no projeto e produção de drones de ataque e reconhecimento como os modelos Molniya e Orion, um alvo confirmado pelo Estado-Maior de Kiev [A3].

A espiral de violência ocorre num momento de crescente tensão política entre Washington e Kiev. O governo Trump suspendeu temporariamente sanções ao petróleo russo, uma inversão que surpreendeu os aliados europeus e que, na perspetiva de observadores em Lisboa, aprofunda a dissociação americana do esforço de guerra. O Presidente Volodymyr Zelensky avaliou que a medida canalizará cerca de 10 mil milhões de dólares para Moscovo, financiando diretamente os bombardeamentos contra cidades ucranianas, enquanto a Administração norte-americana prioriza o confronto com o Irão [A5]. Para analistas em Brasília, a decisão introduz uma variável de instabilidade nos mercados energéticos globais e pode acelerar a procura por uma arquitectura de segurança europeia menos dependente do contributo dos Estados Unidos.

É neste cenário de desgaste que a face humana da resistência ucraniana se transforma. O jornal japonês Mainichi revela que as forças de Kiev formaram unidades femininas de pilotagem de drones, conhecidas como “Harpies”, tirando partido do facto de a destreza nos comandos suplantar a força física na guerra com veículos não tripulados. A bióloga Osoka, de 24 anos, alistou-se depois de perder amigos nos bombardeamentos e afirma que a manipulação dos comandos é indistinguível entre géneros; a estudante de psicologia Mafka, também de 24 anos, interrompeu a universidade sem avisar os pais e treina com um drone de ataque Vampire pintado de cor-de-rosa, simbolizando uma nova fase de recrutamento que arrancou em abril de 2025 [A4] [A6].

A convergência destes eventos — a intensificação dos ataques mútuos, a erosão do apoio financeiro ocidental e a feminização acelerada da linha da frente tecnológica — desenha um conflito cada vez mais assimétrico e duradouro. Para as chancelarias africanas de língua portuguesa, a metamorfose da guerra por drones lança um alerta sobre a rapidez com que tecnologias de baixo custo redefinem a letalidade no campo de batalha, enquanto o vaivém das sanções americanas expõe a vulnerabilidade das alianças multilaterais. A prazo, a conjugação de desgaste humano e volatilidade geopolítica poderá prolongar uma guerra que já se habituou a reescrever as suas próprias regras.

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