Ataques entre Israel e Irão reacendem crise e expõem divergência entre Trump e Netanyahu
Após mísseis iranianos e retaliação israelita, presidente dos EUA advertiu primeiro-ministro israelita; fratura entre aliados ameaça negociações sobre o nuclear iraniano e trégua no Líbano.

O Médio Oriente voltou a mergulhar numa espiral de violência num espaço de 48 horas. No domingo, o Irão lançou mísseis balísticos contra Israel, o primeiro bombardeamento do género desde o cessar-fogo de abril. Israel respondeu na madrugada de segunda-feira com ataques aéreos a alvos militares no centro e oeste do Irão. A frágil trégua que travou a guerra entre os dois países não se estendeu ao Líbano, onde Israel prossegue a ofensiva terrestre e os bombardeamentos contra o Hezbollah, apoiado por Teerão [A1][A5].
A intervenção do presidente norte-americano, Donald Trump, veio agravar a tensão entre aliados. Numa entrevista ao Financial Times, Trump afirmou que «quem decide sou eu», instando o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, a não retaliar, sob pena de fazer descarrilar as negociações com o Irão e pôr em causa a reabertura do Estreito de Ormuz [A4]. Netanyahu ignorou o aviso e Israel concretizou os ataques, revelando uma fratura que, segundo fontes israelitas citadas pelo Axios, esteve perto de se traduzir numa vaga de bombardeamentos ainda mais vasta sobre dezenas de alvos sensíveis iranianos [A2]. Não é a primeira vez que Trump e Netanyahu divergem publicamente sobre operações militares, mas o episódio sublinha agendas cada vez mais distantes: Trump quer encerrar uma guerra impopular e aliviar os preços dos combustíveis, enquanto o líder israelita parece determinado a enfraquecer militarmente o Hezbollah e o Irão [A6][A7].
O Líbano tornou-se o detonador desta crise. Os ataques israelitas sobre Beirute no fim de semana desencadearam a retaliação iraniana e ameaçam alargar o conflito, com as milícias aliadas de Teerão no Iémen e no Iraque a prometerem intervir [A5]. Os mediadores internacionais correm para evitar que a violência saia de controlo, mas o equilíbrio é cada vez mais precário. Para os países lusófonos, a instabilidade no Médio Oriente projeta-se sobre os mercados energéticos, com potenciais repercussões para economias produtoras de petróleo como a brasileira e a angolana, e para as comunidades expatriadas no Líbano.
Na perspetiva de Lisboa e de Brasília, a divergência entre Washington e Telavive mina a coerência da pressão ocidental e dificulta uma solução diplomática. O cessar-fogo de abril, já débil, poderá não resistir a uma nova rodada de hostilidades, enquanto o Líbano permanece no olho do furacão e as negociações nucleares com o Irão ficam em suspenso, deixando o xadrez regional mais perigoso do que em qualquer outro momento desde o início do conflito.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
The Arab press portrays Lebanon as the central victim of escalating violence, caught between Israeli strikes and Iranian retaliation. The fragile ceasefire is on the verge of collapse, with the region bracing for full-scale war. The rift between Trump and Netanyahu is seen as a dangerous distraction from Lebanon's suffering.
Continental European press analyzes the rift between Trump and Netanyahu, highlighting how Israeli strikes in Lebanon and Iran have exposed strategic differences between the two allies. The focus is on diplomatic consequences and the risk to US-Iran talks, with a detached, analytical tone.
Indian and South Asian media focus on Trump's warning to Netanyahu against further attacks on Iran. Reports emphasize the de-escalation and potential ceasefire, adopting a pragmatic and restrained approach.
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