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segunda-feira, 8 de junho de 2026 · Edição das 20:00 CET

Ataques dos EUA ao Irão derrubam bolsas na Ásia, mas euforia com IA segura Wall Street

Novos bombardeamentos americanos e sanções sobre o Estreito de Ormuz reacenderam a tensão geopolítica, travando as esperanças de um cessar-fogo rápido e penalizando as praças australianas, enquanto o entusiasmo em torno dos semicondutores contrabalança as quedas nos EUA.

Finanças5 veículos3 idiomas3 min de leituraAtualizado 04:11

Os mercados financeiros viveram uma quinta-feira de forte volatilidade, com a praça australiana a liderar as perdas após os Estados Unidos terem realizado novos ataques aéreos contra o Irão e imposto sanções adicionais para impedir Teerão de lucrar com a passagem de navios pelo Estreito de Ormuz. O índice S&P/ASX 200 afundou 1,4%, uma erosão de 45 mil milhões de dólares em capitalização bolsista, anulando os ganhos da véspera, enquanto o ouro recuava e o petróleo disparava. A reação sintetizou o nervosismo dos investidores face a um conflito que parece afastar-se de uma solução diplomática imediata.

Na perspetiva de Sydney, a sensação é de 'pés inquietos', como resumiu um analista citado pela imprensa local, à espera de um acordo EUA-Irão que tarda em materializar-se. Contudo, a ansiedade contrasta com a resiliência exibida por Wall Street, onde o S&P 500 e o Nasdaq tinham renovado máximos históricos na terça-feira, impulsionados por uma onda de euforia em torno da inteligência artificial — nomeadamente com a disparada das ações da fabricante de memórias Micron. O optimismo com os semicondutores funcionou como um amortecedor parcial da incerteza geopolítica, um fenómeno que também se observou nas bolsas europeias.

A oscilação no mercado petrolífero ilustrou a complexidade do tabuleiro. Na terça-feira, o Brent chegara a recuar para a zona dos 96 dólares por barril, com as cotações a aliviarem depois de um responsável iraniano confirmar que prosseguiam os contactos indirectos com Washington e que o enriquecimento de urânio não estava na agenda. Porém, as novas hostilidades e as sanções sobre o vital corredor marítimo anularam esse alívio, fazendo o crude disparar — a maior subida em três semanas, segundo registos da imprensa financeira australiana. O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, advertiu que um pacto de paz provavelmente demorará 'alguns dias' a concretizar-se, o que mantém o risco latente.

Para as economias lusófonas, a conjuntura encerra efeitos ambivalentes. O Brasil, enquanto exportador líquido de petróleo, pode beneficiar da alta da matéria-prima — um vento favorável para a Petrobras e para a balança comercial —, mas sofre com o agravamento das expectativas de inflação global, que pressionam as taxas de juro. Já Portugal, importador de energia, enfrenta custos acrescidos, num momento em que o Banco Central Europeu ainda avalia o ritmo de flexibilização monetária. Em África, produtores como Angola encontram nas cotações elevadas um impulso orçamental, mas a instabilidade no Médio Oriente ensombra as perspetivas de investimento.

Olhando em frente, a grande questão é se a narrativa da inteligência artificial conseguirá continuar a contrabalançar os sobressaltos geopolíticos. Os estrategas europeus, citados pela imprensa suíça, notam que desde o início de abril se assiste a uma nova vaga de confiança nos grandes grupos tecnológicos, como a Nvidia e a Alphabet, que recuperaram do cepticismo observado no primeiro trimestre. Porém, a vulnerabilidade ficou patente: basta uma escalada dos ataques ou um incidente no Estreito de Ormuz para que o petróleo volte a testar patamares críticos e arrefeça o apetite pelo risco. Os mercados caminham, por isso, sobre o fio tenso entre a inovação e a geopolítica.

Como a mesma história é contada em outros lugares.

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Stampa latinoamericana/ mercatoindignazionepragmatismo

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