Arábia Saudita atinge PIB de 1,31 biliões de dólares, mas travão petrolífero trava ímpeto
Relatório do programa Visão 2030 destaca expansão do setor não petrolífero, enquanto dados do primeiro trimestre de 2026 mostram desaceleração e metas por cumprir; Marrocos e África do Sul apresentam dinâmicas contrastantes.

A economia saudita alcançou um marco simbólico em 2025, com o PIB real a expandir-se para 1,31 biliões de dólares e as atividades não petrolíferas a representarem 55% da produção económica, segundo o relatório anual do Programa Nacional de Transformação (NTP). O documento sublinha um aumento do investimento direto estrangeiro para 35,5 mil milhões de dólares, quase cinco vezes o nível de 2017, e uma subida de 4,9% do PIB não petrolífero. Contudo, as estimativas do primeiro trimestre de 2026, divulgadas pela Autoridade Geral de Estatística, revelam o crescimento mais lento em seis trimestres: 3% em termos homólogos, com as atividades petrolíferas a contraírem-se 6,8% face ao trimestre anterior, reflexo dos ajustes de produção da OPEP+. Analistas do Golfo notam que a desaceleração expõe a vulnerabilidade persistente do reino às oscilações da commodity, apesar dos avanços na diversificação.
No Magrebe, Marrocos registou um crescimento de 4,9% em 2025, mas observadores em Rabat advertem que a expansão assentou sobretudo no investimento público. O investimento bruto contribuiu diretamente com 5 pontos percentuais para o crescimento, enquanto o consumo das famílias permaneceu débil e a atividade não agrícola abrandou, de acordo com as contas nacionais. O turismo, porém, continua a brilhar: o reino recebeu 19,8 milhões de visitantes, subindo três lugares no ranking mundial para a 22.ª posição e gerando receitas de 14,8 mil milhões de dólares. Para Lisboa, esta ascensão representa uma pressão competitiva sobre os destinos mediterrânicos tradicionais, num momento em que o setor turístico português procura consolidar a recuperação pós-pandemia.
Na África do Sul, a economia cresceu 0,5% no primeiro trimestre de 2026 em cadeia, superando as expetativas, com nove dos dez setores em expansão. Apesar do sinal positivo, o investimento fixo caiu após dois trimestres de alta, e a agência de estatística advertiu que o impacto da guerra no Irão ainda não se refletiu nos números. A resiliência relativa da economia sul-africana contrasta com os alertas que chegam de Luanda e Maputo: a dependência de matérias-primas continua a ser o calcanhar de Aquiles das economias lusófonas africanas, tornando a diversificação uma prioridade semelhante à que Riade persegue com o Visão 2030.
O balanço do programa saudita mostra que os ativos do Fundo de Investimento Público atingiram 910 mil milhões de dólares, abaixo da meta de 1,09 biliões, e que o investimento direto estrangeiro representou 2,8% do PIB, aquém do objetivo de 3,4%. Embora a ocupação hoteleira em Medina tenha alcançado 75% em 2025, o valor mais alto em três anos, sinalizando pujança do turismo religioso, ficaram por cumprir metas intercalares do PIB não petrolífero. Na perspetiva de Brasília, a experiência saudita oferece lições para países que buscam motores de crescimento para lá das exportações de recursos, enquanto o mundo aguarda para ver se a tração do setor privado conseguirá compensar a retração do investimento público e as incertezas geopolíticas globais.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
A Visão 2030 da Arábia Saudita está a dar frutos: a economia ultrapassa os 1,31 biliões de dólares, os sectores não petrolíferos impulsionam o crescimento, a taxa de ocupação hoteleira em Medina atinge os 75% e o investimento direto estrangeiro quintuplicou, embora algumas metas fiquem ligeiramente aquém. Trata-se de um sucesso pragmático de diversificação com resultados concretos de longo prazo.
Por trás dos recordes turísticos de Marrocos e do crescimento de 4,9% está uma dependência excessiva do investimento público e um consumo interno fraco; entretanto, a Arábia Saudita registou o crescimento trimestral mais lento em seis trimestres, com a queda da atividade petrolífera. Os números pedem pragmatismo, não celebração.
O crescimento não petrolífero saudita e os ganhos turísticos marroquinos são notáveis, mas o reino falhou metas-chave da Visão 2030 e o modesto crescimento sul-africano poderá em breve sentir o choque da guerra com o Irão. Os analistas permanecem cautelosos, avaliando se a diversificação conseguirá compensar os riscos externos.
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